Safra de laranja em São Paulo enfrenta queda devido ao greening
Cinturão citrícola passa por momento crítico com avanços da doença HLB

A nova previsão para a safra 2026/27 do cinturão citrícola em São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro, a principal região produtora de laranja para suco, indica que os avanços do greening (HLB - Huanglongbing) colocam a indústria em uma fase crítica.
Conforme divulgado pelo Fundecitrus, a expectativa é de que a produção alcance 255,20 milhões de caixas de 40,8 kg, o que representa uma redução de 12,9% em relação à safra anterior, que totalizou 292,94 milhões de caixas. Essa cifra também demonstra uma queda de 14,7% em comparação à média da última década.
✨ Os efeitos do greening estão agora mais presentes devido a condições climáticas adversas e maior pressão da doença nos pomares.
Juliano Ayres, diretor-executivo do Fundecitrus, explica que a safra está sendo afetada por essa variabilidade climática e pela crescente pressão do greening, que impacta o pegamento dos frutos e resulta na perda de produção. Apesar dei avanços tecnológicos e melhorias no peso médio das laranjas, o cenário exige um rigoroso manejo e monitoramento contínuo.
Incidência alarmante de HLB
Especialistas alertam que a propagação do HLB atingiu níveis preocupantes. Gilberto Tozatti, consultor em citros e fundador do Grupo de Consultores em Citros (GCONCI), relata que a média de plantas afetadas no cinturão citrícola brasileiro já alcança 47,6%, com uma severidade da doença de 22,7%. Ele enfatiza que a presença da doença impacta diretamente a produção e a qualidade dos frutos.
Tozatti afirma que mais de 50% das quedas prematuras de frutos são atribuídas ao greening, que também compromete o rendimento industrial e a qualidade do suco, afetando a competitividade da citricultura no Brasil.
Hamilton Rocha, outro consultor do setor, destaca que os prejuízos têm se acumulado ao longo de duas décadas, com uma queda acentuada na produção e na qualidade das laranjas.
Estratégias de manejo
Sem cura definitiva para o greening, o controle recai sobre o manejo integrado, monitoramento intensivo e combate ao inseto vetor, o psilídeo Diaphorina citri. Tozatti reforça a necessidade de rápida erradicação de plantas contaminadas e controle rigoroso do vetor em áreas com menor incidência, enquanto nas regiões mais afetadas, os esforços se concentram em manter a produtividade e prolongar a vida dos pomares.
Ele também observa que, mesmo sem uma reversão efetiva da doença, é possível desacelerar sua progressão no pomar. André Luis Teixeira Creste, engenheiro agrônomo PhD, reafirma que algumas regiões já têm mais de 70% de plantas com sintomas, o que pode resultar em perdas ainda mais significativas, dependendo das condições climáticas.
Teixeira sugere que diferentes abordagens, incluindo manejo do solo e controle do vetor, são essenciais. Tecnologias como os refletores solares podem ser utilizadas como ferramentas complementares, enquanto novas soluções estão sendo avaliadas para mitigar os danos do HLB.
Novas Inovações
O sistema TreciseR, desenvolvido pela Invaio Sciences, está em processo de registro no Brasil. Ele permite a aplicação localizada de ingredientes ativos diretamente no tronco das plantas, reduzindo a dose necessária e minimizando os impactos ambientais.
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