Aumento das temperaturas compromete lavouras e zera receita do setor

Em 2026, a Europa enfrentou uma severa onda de calor que teve um impacto devastador nas lavouras, especialmente nas regiões da Espanha, França e Itália, onde as temperaturas chegaram a superar os 40°C. Essa situação resultou em perdas significativas na produção agrícola, aumentando as preocupações com o custo e a oferta de ração para animais, além de alimentar a inflação dos alimentos.
A Energy and Climate Intelligence Unit estima que o setor de grãos na Europa perdeu cerca de € 2 bilhões em receita devido à queda na produção, conforme dados da organização Coceral. Mesmo sem uma comparação histórica direta, analistas apontam que os agricultores estão mais vulneráveis a eventos climáticos extremos.
Relatos da European Coordination La Via Campesina dão conta dos severos impactos nas lavouras, nos rebanhos e nas técnicas de irrigação. Na Áustria, por exemplo, os produtores notaram um deficit significativo nas chuvas. Enquanto na Holanda, mesmo áreas tradicionalmente menos afetadas por secas enfrentaram dificuldades no crescimento das pastagens, levando ao uso antecipado das reservas de inverno.
A alimentação animal também foi prejudicada. A Associação Alemã de Agricultores reportou perdas em pastagens e na cultura do milho para silagem em regiões como Baden-Württemberg e Baviera. Com a diminuição da forragem disponível, os pecuaristas se veem obrigados a comprar ração adicional ou redirecionar grãos da produção para a alimentação animal.
✨ Cidades do norte da Europa, como a Polônia, vêm se destacando na produção de culturas mais dependentes de água, como o milho, em resposta à escassez no sul.
Na Itália, a falta de água já está influenciando as decisões de investimento, levando os agricultores a realocar culturas mais agrícolas para regiões com maior disponibilidade hídrica. Apesar de todos os desafios, a produção total de grãos na Europa em 2026 é estimada em 289 milhões de toneladas, com a Comissão Europeia projetando um volume entre 278 milhões e 320 milhões de toneladas até o final da década.
A principal preocupação agora é que manter esses níveis de produção em um cenário de aquecimento global exigirá investimentos significativos, podendo resultar em um aumento nos preços para os consumidores.
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