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economia
3 min de leitura

Endividamento das famílias atinge 82%, novo recorde histórico

Proporção de famílias endividadas cresce mesmo com leve queda na inadimplência

Gabriel Rodrigues06 de agosto de 2026 às 12:50
Endividamento das famílias atinge 82%, novo recorde histórico

Dados recentes da Confederação Nacional do Comércio (CNC) revelam que 82% das famílias brasileiras estavam endividadas em julho de 2026. Esse é o maior percentual desde o início da pesquisa, indicando um novo recorde histórico.

Embora a taxa de inadimplência tenha registrado uma leve queda, passando de 29,9% para 29,8%, a proporção de brasileiros com mais da metade da renda comprometida com dívidas subiu, gerando preocupação sobre a saúde financeira das famílias.

Desempenho do Endividamento

O estudo, parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), também mostrou um aumento de 0,4 ponto percentual em relação ao mês anterior, quando 81,6% das famílias relataram estar endividadas. Comparando com julho do ano anterior, o aumento foi de 3,5 pontos percentuais.

Os tipos de dívidas mais comuns incluem cartões de crédito, financiamentos e empréstimos pessoais.

Endividamento versus Inadimplência

É importante diferenciar endividamento de inadimplência. O primeiro se refere ao número de famílias que possuem dívidas a vencer, enquanto inadimplência se refere àquelas que não conseguem pagar as contas no prazo. De acordo com a CNC, uma família pode estar endividada, mas não inadimplente, desde que esteja fazendo os pagamentos regularmente.

Impacto da Inadimplência e Renda Comprometida

Apesar da leve diminuição na inadimplência, o percentual de famílias que indicam estar com mais da metade da renda comprometida com dívidas atingiu 19%, o nível mais alto desde março de 2026. A economista Carla Beni destacou que a queda na inadimplência não significa necessariamente uma menor pressão financeira sobre as famílias.

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A inadimplência é a última coisa que uma família quer. Ela provoca estresse e é consequência de uma combinação de fatores, como crédito caro e renda limitada

Carla Beni, economista da FGV.

Mudanças nos Indicadores de Atraso

Os dados indicam uma leve melhora no tempo médio de atraso das dívidas, que caiu para 64,6 dias. Além disso, a proporção de consumidores inadimplentes com contas atrasadas por mais de 90 dias também diminuiu.

Distribuição do Endividamento por Faixa de Renda

O aumento no endividamento variou conforme a faixa de renda. Entre famílias que recebem até três salários mínimos, o endividamento alcançou 84,9%, enquanto na faixa superior a dez salários mínimos o percentual foi de 72%. Contudo, a inadimplência caiu no grupo de maior renda.

Futuro e Recomendações

José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, reforçou a necessidade de cautela. Embora haja sinais positivos relacionados ao programa Desenrola e à melhoria na renda média, o cenário de endividamento elevado ainda demanda atenção e ações que aliviem a pressão sobre o orçamento das famílias.

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