Desbalanceamento entre oferta e demanda exige medidas do ONS

O Brasil enfrenta atualmente um desafio inédito no setor elétrico: a oferta excessiva de energia, especialmente devido ao aumento da geração solar distribuída. Após um apagão de 2001, onde consumidores tiveram que reduzir o uso de eletricidade, a realidade é agora diametralmente oposta.
Em 7 de junho, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) ativou um plano emergencial em resposta ao aumento intenso da oferta de eletricidade, decidindo pela redução ou desligamento da geração, predominantemente de fontes eólicas e solares. Essa decisão foi a primeira implementada desde que um plano para lidar com a sobrecarga de energia foi estabelecido no ano anterior.
✨ Cerca de 5% dos consumidores brasileiros já geram sua própria energia, contribuindo significativamente para a oferta excessiva.
Joisa Dutra, do FGV-Ceri, explica que a operação ideal do sistema elétrico depende da equivalência entre a oferta e demanda de energia. Diferentemente do passado, o Brasil não depende mais exclusivamente de grandes usinas de energia; a geração distribuída desempenha um papel cada vez maior, abrangendo 5% dos consumidores nacionais.
Estudos da Aneel mostram que com aproximadamente 90 milhões de consumidores, 4,5 milhões se classificam como geradores distribuídos, com um potencial total de 50 gigawatts, representando 20% da capacidade instalada do país. No entanto, a diretora Joisa Dutra alerta que essa situação pode estar subestimada, mencionando que a geração poderia atingir 15 gigawatts a mais.
Elbia Gannoum, presidente da Abeeólica, destaca que a pressão do curtailment prejudica investimentos no setor e que, embora o Brasil tenha avançado nas energias renováveis, a geração distribuída não é controlada centralmente pelo ONS, o que complica a gestão do sistema.
""O crescimento da energia solar distribuída não é o único fator para o atual desequilíbrio; o problema é complexo e envolve falta de políticas públicas adequadas para lidar com a expansão", afirma a Absolar.
Além disso, a economista Elena Landau ressalta que a falta de um planejamento robusto tem penalizado o consumidor, fazendo com que o custo da energia continue a aumentar, mesmo diante do excesso de oferta.
✨ A capacidade instalada é mais do que o dobro da demanda média, criando um descompasso no setor.
A solução para o atual cenário pode envolver investimentos em tecnologia de armazenamento de energia. Sistemas de baterias e hidrelétricas reversíveis são algumas das vias para conservarem a energia, evitando o desperdício que atualmente ocorre com o curtailment.
Com a recente intensificação da geração solar, o Brasil enfrenta um desbalanceamento energético que requer ações imediatas e estratégicas, como atualização da infraestrutura e flexibilidade operacional.
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