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Venda de energia enfrenta desafios com mudanças climáticas no Rio

Concessionárias buscam investimentos para melhorar resiliência da rede elétrica

Gabriel Rodrigues05 de agosto de 2026 às 10:45
Venda de energia enfrenta desafios com mudanças climáticas no Rio

O recente vendaval que atingiu o Rio de Janeiro destacou os desafios que concessionárias de energia elétrica enfrentam diante da crescente frequência de eventos climáticos extremos. O fenômeno causou apagões prolongados em diversas áreas, levantando preocupações sobre a segurança das redes elétricas.

Investimentos para aumentar a resiliência da rede

Ricardo Brandão, diretor de Regulação da Abradee, enfatiza que, embora esteja sendo feito um esforço significativo com investimentos, o cenário continua a se agravar. "Estamos realmente lidando com uma mudança que intensifica as condições climáticas", afirmou Brandão ao falar sobre os planos de contingência das concessionárias.

Moradores no Rio, após o vendaval, enfrentaram até 30 horas sem energia.

Os especialistas indicam que é viável aumentar a resistência das redes a ventos fortes, mas isso requer investimentos elevados que precisariam ser cobertos pelas concessionárias. A Abradee revelou um aumento significativo nos investimentos anuais, que saltaram de R$ 18 bilhões em 2021 para R$ 41 bilhões em 2025, focando na modernização das infraestruturas.

A modernização abrange digitalização, automação, e redes inteligentes. Brandão destacou que, embora a digitalização não impeça desligamentos quando árvores caem sobre as linhas, ela oferece respostas mais eficientes, evitando o desligamento total de áreas inteiras.

A importância da comunicação

Brandão frisou que a comunicação eficaz com os consumidores é fundamental. Hoje, as distribuidoras informam os clientes diretamente sobre interrupções de energia, aliviando a necessidade de contatos via call center.

Pesquisadores sugerem a instalação de fiação subterrânea, embora o custo seja entre cinco a dez vezes maior que o da fiação aérea. Brandão argumenta que esse investimento deveria ser uma responsabilidade do governo, já que os custos seriam distribuídos entre todos os consumidores na área.

Edson Watanabe, professor do Coppe/UFRJ, ressaltou que as concessionárias devem ser mais proativas, afirmando que a inércia pode levar a problemas ainda maiores.

Preparação para eventos climáticos futuros

A preparação para eventos climáticos extremos é regida pela Aneel, e a implementação de planos de contingência deve ser feita com antecedência. Brandão mencionou que as distribuidoras estão se preparando para um possível Super El Niño, que poderá impactar o clima na América do Sul.

Ele observa que a estação úmida inicia em outubro nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, trazendo riscos de eventos mais severos do que os já conhecidos. A experiência de compartilhamento de recursos entre distribuidoras, como visto em inundações no Rio Grande do Sul em 2024, pode ser uma estratégia valiosa.

Brandão também destacou que, mesmo após o vendaval da semana passada em São Paulo, o intercâmbio de equipes de diferentes regiões foi mais limitado por conta dos danos às distribuidoras vizinhas.

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