Iniciativa busca medir e armazenar CO2 de indústrias de etanol.

A EnduraCarbon, startup formada por ex-executivos da Petrobras e do setor de biocombustíveis, protocolou um pedido à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para testar um projeto inovador de captura e armazenamento de gás carbônico na região do centro-oeste paulista.
O intuito da empresa, que completou um ano de operação, é capturar o CO2 produzido pelas indústrias de etanol da área e injetá-lo no solo, com a intenção de comercializar créditos de remoção de carbono.
✨ O projeto foi viabilizado pela regulamentação trazida pelo decreto 13.095/2026, que define diretrizes para atividades de captura de carbono.
Com base nas novas regulamentações, a iniciativa da EnduraCarbon se enquadra na modalidade Bioenergia com Captura e Estocagem de Carbono (BECCS). O projeto envolve a construção de um hub com poços destinados a injeção de gás carbônico, que será coletado de várias usinas.
Atualmente, os processos de fermentação nas usinas que produzem etanol geram emissões diretas de CO2. Além disso, usinas que operam biometano também produzem gás carbônico durante a purificação do biogás.
Os empreendedores estimam que a construção do hub, caso os testes sejam bem-sucedidos, irá custar cerca de R$ 1,5 bilhão, com a capacidade de armazenar até 1 milhão de toneladas de CO2 anualmente.
"O projeto foi concebido para ter volume e economicidade. Surgiu a oportunidade de um projeto comercial alinhado com grandes iniciativas globais de CCS.
A EnduraCarbon já firmou uma parceria com a Usina São Manoel, onde receberá CO2 e energia elétrica gerada pela queima da biomassa da cana-de-açúcar. O projeto busca atender à crescente demanda por soluções sustentáveis, oferecendo uma maneira de transformar resíduos de produção em uma solução ambiental.
Renan Santos, sócio e responsável pela diretoria financeira, explica que as usinas de etanol são emissoras de carbono de ciclo curto, e o aumento da produção de biometano gera um volume adicional de CO2 a ser trabalhado.
Atualmente, existe apenas um projeto de BECCS em fase de construção no mundo, coordenado por uma empresa em Mato Grosso, que visa armazenar carbono de sua própria produção.
A ideia da EnduraCarbon é estabelecer um transporte sustentável do CO2 utilizando caminhões movidos a biometano, resultando em uma pegada de carbono reduzida.
Após a autorização da ANP, a EnduraCarbon terá três anos para desenvolver as infraestruturas de perfuração e teste, e se os resultados confirmarem a viabilidade do projeto, solicitará a permissão para invadir e estocar o carbono na região.
O mercado de créditos de carbono está em crescimento, especialmente entre empresas de tecnologia e datacenters, criando oportunidades para contratos de longo prazo.
Santos destaca que a possibilidade de exportação de ITMOs pode atrair investimentos significativos para o setor, uma vez que a tecnologia utilizada demanda capital considerável.
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