Usinas tentam evitar recuperação judicial após crise setorial

O Grupo Itajobi anunciou, neste domingo, a solicitação de uma mediação empresarial no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (CEJUSC) de São José do Rio Preto. O objetivo é negociar uma dívida significativa de R$ 3,76 bilhões com seus credores antes de cogitar um pedido de recuperação judicial.
Em um movimento paralelo, o grupo protocolou uma medida cautelar com o intuito de proteger seu patrimônio durante as negociações. Segundo William Matheus Martinez, advogado do grupo, uma recuperação judicial em larga escala pode levar anos e prejudicar o valor da empresa. A mediação se apresenta, portanto, como uma alternativa para construir soluções sem os desgastes típicos de um processo formal.
Recentemente, o Grupo Itajobi foi inadivertidamente relacionado à Operação Carbono Oculto, investigação que apura fraudes fiscais e lavagem de dinheiro. Acusações envolvem o empresário Mohamad Hussein Mourad e levantam a suspeita de que as usinas do grupo estariam operando com sobrepreços na compra de cana-de-açúcar.
✨ A mediação prévia é vista como uma abordagem mais eficaz, em contraste com a recuperação judicial, que muitas vezes se torna um fardo econômico.
Martinez destaca que a recuperação judicial, frequentemente utilizada como primeira opção no agronegócio brasileiro em casos de insolvência, gera um imenso passivo no setor. Ele argumenta que a falta de utilização de métodos de mediação adequados pode levar os empresários à litigância, com caixa comprometido e soluções tardias.
A reforma da Lei de Recuperação Judicial e Falências de 2020 introduziu a possibilidade de mediação ou conciliação entre empresas em dificuldades financeiras e seus credores antes da recuperação judicial.
A medida cautelar, se aceita pela justiça, pode suspender cobranças e litígios, proporcionando ao Grupo Itajobi um respiro financeiro. As operações do grupo estão centradas em diversas cidades, incluindo Marapoama e Pontal.
A defesa do grupo enfatiza que a situação atual deve-se a uma crise setorial, caracterizada por custos elevados e um mercado de vendas em mínimos históricos nos últimos cinco anos. Martinez enfatiza que, quando o ambiente econômico se degrada simultaneamente, o problema transcende a gestão individual.
Sobre a Operação Carbono Oculto, a defesa do Grupo Itajobi reitera que a investigação está em fase probatória e não houve qualquer determinação judicial que impeça a operação regular da empresa. Ele ressalta a colaborações do grupo com as autoridades e reafirma a presunção de inocência na análise da situação.
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