Governo retira urgência de projeto sobre jornada de trabalho
Mudança impacta propostas em análise na Câmara e Senado

O governo federal decidiu retirar a urgência constitucional do projeto que propõe a redução da jornada de trabalho de 6x1, enviado à Câmara dos Deputados. A notificação foi encaminhada ao Congresso nesta terça-feira, impactando as discussões sobre a matéria.
A urgência constitucional assegura que os deputados devem se debruçar sobre a proposta em até 45 dias. A falta de votação poderia trava as deliberações sobre outras matérias no plenário da Câmara. Vale ressaltar que esta proposta não se confunde com a já aprovada PEC sobre o mesmo tema, que aguarda análise no Senado.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), havia solicitado ao governo a retirada da urgência, ressaltando que a PEC já havia sido aprovada. Inicialmente, a urgência foi mantida para pressionar o Senado a avançar nas discussões, gerando desconforto entre os deputados devido à interrupção de sua pauta de votações, em um momento em que se aproxima o recesso parlamentar relacionado às eleições.
✨ Motta decidiu seguir adiante com a votação do projeto para reduzir a carga horária de 44 para 40 horas semanais, estabelecendo a escala 5x2 como padrão.
O ministro José Guimarães, da Secretaria de Relações Institucionais, confirmou que a retirada da urgência foi uma determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele também mencionou que Motta tem a potestade de barrar as 'pautas-bomba' que foram aprovadas no Senado.
O que são pautas-bomba?
Pautas-bomba referem-se a projetos legislativos que criam despesas significativas, impactando negativamente as finanças públicas e potencialmente violando normas fiscais, especialmente em anos eleitorais.
Recentemente, diversas propostas foram aprovadas com esse potencial de impacto financeiro. Cálculos do Ministério da Fazenda indicam que a aprovação dessas propostas pode resultar em um efeito financeiro de até R$ 111 bilhões anuais, uma preocupação crescente diante do cenário eleitoral.
- 1PL 5.122/2023: Renegociação de dívidas rurais - custo de R$ 140 bilhões em 13 anos.
- 2PLP 108/2021: Elevação do teto do Simples Nacional - renúncia de R$ 50 bilhões anuais.
- 3PEC 231/2019: Ampliação do Fundo de Participação dos Municípios - redução de R$ 10 bilhões anuais.
- 4PEC 5/2023: Aumento da imunidade tributária a templos religiosos - custo de R$ 10 bilhões anuais.
- 5PLP 11/2026: Benefícios para entidades sem fins lucrativos - renúncia de R$ 1 bilhão anuais.
- 6PEC 383/2017: Vinculação de recursos ao Sistema Único de Assistência Social - despesa adicional de R$ 9 bilhões anuais.
- 7PL 4.728/2020: Novo Programa Especial de Regularização Tributária - custo de R$ 8,8 bilhões anuais.
- 8PL 1.365/2022: Aumento das despesas com médicos e dentistas - R$ 8,4 bilhões anuais.
- 9PEC 14/2021: Aposentadoria para agentes comunitários - R$ 3 bilhões anuais.
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Mariana Souza
Jornalista especializado em política
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