Ação questiona medidas que afetam trabalhadores ambulantes

O Ministério Público Federal (MPF) solicitou a suspensão do programa 'Tolerância Zero', implementado pela Prefeitura do Rio de Janeiro para regulamentar o comércio ambulante na praia. Este programa, que teve início em 16 de outubro, visa coibir ações ilegais nas praias do Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon.
De acordo com o MPF, o programa foi criado sem a devida consulta à União e à sociedade, além de afetar diretamente os direitos dos trabalhadores ambulantes que dependem desse tipo de comércio para sua sobrevivência.
O pedido de suspensão alega que o programa não dialogou com a União, responsável pelas praias e tampouco com os afetados, não estabelecendo um plano que preserve tanto a ordem urbana quanto os direitos dos trabalhadores. O MPF criticou a ausência da celebração do Termo de Adesão à Gestão de Praias (TAGP) e a falta de um Plano de Gestão Integrada, que deveria ter sido desenvolvido no Projeto Orla.
Embora o MPF reconheça a importância de combater a exploração ilegal do espaço público, argumenta que isso não deve ser feito às custas de trabalhadores que esperam políticas públicas há anos.
✨ O programa não oferece alternativas para a regularização da atividade dos vendedores ambulantes.
Em sua argumentação, o MPF enfatiza que o programa 'Tolerância Zero' poderia resultar em discriminação contra trabalhadores legítimos, predominantemente constituídos por pessoas em situação vulnerável. Depois de mencionar a necessidade de políticas inclusivas, o MPF critica o tratamento geral de todos os ambulantes como se fossem suspeitos, ressaltando que o combate ao crime deve ser focado naqueles que realmente praticam atividades ilícitas.
"O combate ao crime deve ser direcionado aos responsáveis pelas atividades ilícitas, não utilizado para justificar restrições generalizadas ao exercício de uma atividade profissional reconhecida pela legislação
O procurador regional dos Direitos do Cidadão, Julio Araujo, também destacou que a política de fiscalização das praias foi adotada sem atenção às normas federais pertinentes.
Em resposta, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavalieri, atacou o procurador do MPF, descrevendo a ação como uma 'inversão de valores' e alegando que o MPF está falhando no seu papel ao não coibir as atividades do crime organizado. Na sua visão, a prefeitura tem a autoridade constitucional de agir contra irregularidades e garantir a ordem pública.
Lançado recentemente pela Prefeitura, o programa conta com 320 agentes que realizam fiscalização diária nas praias, utilizando drones e câmeras do Centro de Operações e Resiliência. A operação já mapeou mais de mil pontos de comércio ilegal e cerca de 22 depósitos irregulares na área.
✨ O programa consiste na apreensão de mercadorias e na remoção de estruturas ilegais.
O clima nas praias do Rio de Janeiro inclui a luta entre o direito ao comércio ambulante e a necessidade de ordenamento público, destacando a complexidade desse assunto e a necessidade de soluções que respeitem os direitos humanos.
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