Superávit projetado contrasta com desafios nas exportações

O mercado global de café está caminhando para um estado de oferta mais confortável para a temporada 2026/27, embora o processo de ajuste esteja se desenrolando de maneira mais lenta e irregular do que o inicialmente previsto. Essa análise provém do Rabobank, que continua a projetar um superávit de 8,9 milhões de sacas.
Um dos principais pontos de atenção está no segmento do café arábica. De acordo com o banco, os atrasos nas exportações do Brasil e da Colômbia deverão restringir os estoques certificados pela ICE por várias semanas. A reposição substancial dessas quantidades parece improvável antes de novembro.
Por outro lado, a situação do café robusta é mais positiva, com os estoques certificados já começando a se recuperar. Além disso, as condições climáticas também permanecem uma preocupação. O fenômeno El Niño pode impactar diversas regiões de cultivo, mas o Rabobank acredita que os preços do café já incorporam potencialmente os riscos associados, em vez de refletir danos já registrados nas lavouras.
No que diz respeito à demanda, começam a surgir sinais de resposta aos preços altos. As importações realizadas por países não produtores diminuíram em 6,2% no segundo trimestre em comparação ao mesmo período do ano anterior. No total dos últimos 12 meses, a queda foi de 0,6%.
✨ Apesar do superávit projetado, arábica enfrenta escassez e riscos climáticos que podem impactar o mercado.
Embora se preveja um balanço global de cafés amplamente superavitário para 2026/27, a combinação de estoques limitados de arábica, atrasos de exportação e incertezas climáticas sugere que a transição para um mercado mais abastecido poderá enfrentar momentos de volatilidade.
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Jornalista especializado em agricultura

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