Análise do Unicef revela falta de ênfase em medidas preventivas

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) declarou que os programas eleitorais dos principais candidatos à presidência falham ao focar em respostas reativas à violência que afeta crianças e adolescentes, em vez de priorizar a prevenção.
Em uma análise das cinco candidaturas com mais intenção de voto — Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) — o Unicef constatou que os planos de governo, disponíveis no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), incluem 178 menções sobre infância, abordando principalmente a educação e a segurança pública.
✨ As propostas analisadas são predominantemente reativas, focando em medidas punitivas e no aumento da repressão à criminalidade.
Embora reconheçam a violência, muitos planos priorizam a investigação criminal, como aumento das penas e intensificação do policiamento, em detrimento de iniciativas que visem a proteção integral das crianças. Joaquin Gonzalez-Aleman, representante do UNICEF no Brasil, alerta que é essencial agir preventivamente por meio de políticas de educação e oportunidades para os jovens.
Entre os candidatos, o plano de Lula demonstra um foco maior em ações preventivas, enquanto os programas de Flávio Bolsonaro e Romeu Zema se concentram em punições. Ronaldo Caiado apresenta uma combinação de medidas punitivas e propostas de prevenção intersetorial.
As análises também indicam que, entre os tipos de violência mencionados, a violência sexual contra crianças e adolescentes é a mais recorrente nos programas. No entanto, raras referências abordam a violência em ambientes digitais e a violência doméstica.
Os dados do Anuário de Segurança Pública de 2026 revelam que, em 2025, 2.079 crianças e adolescentes foram vítimas de homicídios violentos, com uma predominância entre adolescentes do sexo masculino e negras. O aumento de maus-tratos em casa superou 100% de 2024 a 2025.
A análise do Unicef também destacou que as propostas não consideram as desigualdades sociais que afetam meninos e meninas, tratando-os como um grupo homogêneo e ignorando aspectos como raça e etnia. A falta de menções específicas sobre crianças negras, indígenas e com deficiência evidencia uma abordagem superficial sobre esses grupos vulneráveis.
✨ As propostas focam em jovens como perpetradores e não reconhecem sua condição de vítimas de violações de direitos.
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