Dados alarmantes revelam aumento da violência sexual contra meninas.

Educação sexual e controle digital são fundamentais no combate ao abuso infantil, segundo a juíza Juliana Brandão, que discute dados preocupantes sobre violência sexual contra meninas no Brasil, onde 45,5% das notificações de agressão envolvem garotas de 10 a 14 anos.
O relatório mais recente do Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Ipea, mostra uma escalada alarmante nas notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes entre 2023 e 2024. Na primeira infância, os casos saltaram de 7.315 para 7.845, enquanto para a faixa etária de 5 a 14 anos, o aumento foi de 26.125 para 29.135.
✨ Entre 2014 e 2024, o número de notificações por abuso sexual quadruplicou no Brasil.
Os dados refletem uma grave crise de proteção para crianças e adolescentes, principalmente meninas, que muitas vezes são vítimas em um ambiente que deveria ser seguro: suas casas. A desigualdade de gênero se destaca, com 86,9% das vítimas sendo do sexo feminino, evidenciando a estrutura de poder que perpetua esse tipo de violência.
De acordo com Brandão, a persistência desses números indica uma continuidade da insegurança para meninas e mulheres na sociedade brasileira, que falha em assegurar a equidade de direitos. A ausência de políticas públicas eficazes voltadas para a proteção de meninas e mulheres contribui para a normalização da violência sexual e a culpa das vítimas.
A violência sexual contra crianças é predominantemente doméstica. O Atlas aponta que, entre crianças de 0 a 4 anos, 67,3% das agressões acontecem em casa. Com o avanço da idade, embora a violência extrafamiliar aumente, a residência ainda é o local de quase metade das ocorrências, o que dificulta a denúncia por parte das vítimas.
O fenômeno da polivitimização, descrito no Atlas da Violência, enfatiza que a violência sexual frequentemente não é isolada, mas acumulativa. Crianças que enfrentam negligência ou violência psicológica nas primeiras etapas da vida estão em maior risco de sofrer vitimização sexual posteriormente.
✨ Os dados ainda mostram que, em 2024, a faixa de 5 a 14 anos não apenas lidera as notificações de violência sexual, mas também de violência psicológica.
É fundamental que a sociedade adote medidas rígidas e políticas públicas que abordem a educação sexual e o controle digital, visando proteger as crianças e adolescentes contra todas as formas de violência.
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