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Critérios ampliados geram críticas no setor agrícola e nas indústrias

O governo do Brasil está em vias de formalizar uma lista de ingredientes ativos classificados como Agrotóxicos Altamente Perigosos (AAPs), de acordo com compromissos assumidos no Marco Global de Substâncias Químicas. A medida, pautada por critérios da FAO e OMS, visa estabelecer diretrizes rigorosas na avaliação da toxicidade desses insumos.
A proposta, que visa incorporar critérios internacionais para a formulação da lista de AAPs, não tem como objetivo banir ou dificultar o uso desses produtos, mas já gerou descontentamento entre representantes do setor agrícola e da indústria de defensivos. Eles alertam que a proibição de certos ingredientes pode resultar em uma perda de até R$ 125,5 bilhões nas culturas de soja e milho.
Para um ingrediente ser classificado como AAP, ele deve atender a critérios como potenciais riscos de mutagenicidade, carcinogenicidade, toxicidade reprodutiva ou propriedades de desregulação endócrina. Esses critérios são definidos por agências como a Anvisa e confirmados por organizações internacionais.
✨ Critérios amplos podem gerar insegurança regulatória.
Estudos realizados pelos ex-altos representantes do Ministério da Agricultura, Luis Eduardo Rangel e Carlos Venâncio, indicam que a proposta pode ampliar o conceito de 'agrotóxicos altamente perigosos', trazendo critérios que vão além dos originalmente utilizados pela FAO e OMS. Essa ampliação pode redundar em uma maior insegurança regulatória.
A necessidade de critérios claros e objetivos é enfatizada, pois a falta deles pode resultar em interpretações diversas entre instituições, complicando o comércio e desencorajando investimentos em novas soluções.
Rangel e Venâncio sugerem que as regulamentações sobre AAPs sejam tratadas como instrumentos dinâmicos, destinados a priorização e monitoramento, ao invés de categorias permanentes que possam impactar de forma negativa a reputação do setor. Eles defendem que essa abordagem é crucial para garantir a segurança jurídica e a competitividade.
A proposta de lista de AAPs surge em um contexto de crescente vigilância sobre os impactos ambientais e de saúde relacionados ao uso de agrotóxicos no Brasil.
Os autores concluem que o desafio do Brasil está em equilibrar proteção ambiental e competitividade agrícola, criando mecanismos regulatórios que sejam cientificamente transparentes e eficazes na complexidade do agronegócio tropical.
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