Produtores conquistam 98 medalhas em competição global no setor

Os azeites nacionais têm conquistado espaço significativo em competições internacionais, mostrando sua qualidade e a maneira como a produção é controlada, mesmo representando menos de 1% do consumo total no Brasil. Paulo Renato de Sousa, professor e pesquisador da Fundação Dom Cabral (FDC), destaca que, na recente 11ª edição do EVO IOOC Italy, o Brasil obteve 98 medalhas de ouro e 29 de prata entre 139 amostras de várias partes do mundo.
O crescente reconhecimento internacional no setor de azeites despertou o interesse de Sousa em estudar a cadeia produtiva e seus consumidores. O pesquisador notou que muitos produtores estão comprometidos em manter altos padrões de qualidade em seus produtos. Ele ressaltou a importância desse foco ao apontar que o Brasil, embora ainda em uma fase inicial na produção, tem demonstrado uma capacidade promissora de se estabelecer como um grande player no mercado global.
"Através de entrevistas com os produtores, percebemos que eles valorizam a pureza do azeite, que é descrito como 'suco da azeitona', evitando processos industriais que diluem sua qualidade
✨ O Brasil é o segundo maior consumidor mundial de azeite, atrás apenas dos Estados Unidos.
Apesar do crescimento e reconhecimento, consumidores brasileiros ainda não conhecem bem as características e a qualidade do azeite, o que dificulta sua escolha nos pontos de venda.
Sousa observa que muitos consumidores ainda se baseiam na acidez para escolher o azeite, uma característica que não é facilmente avaliada sem o devido conhecimento. Ele acredita que a educação a respeito da qualidade dos azeites é crucial para o avanço do setor no Brasil.
A rastreabilidade, que permite ao consumidor entender a origem do azeite, é uma questão de relevância crescente. Sousa alerta que a falta de informação pode levar a fraudes. O azeite é um dos produtos mais falsificados do mundo, e os consumidores precisam estar atentos, especialmente no que diz respeito à origem dos produtos que adquirem.
Sob a perspectiva de Sousa, o futuro do mercado de azeites no Brasil parece promissor, mas é necessário um esforço conjunto para aproximar o consumidor da produção nacional. Ele enfatiza que alguns produtores optam por não vender seus produtos em supermercados, focando em ecoturismo e vendas diretas em suas propriedades, o que pode criar uma relação mais direta entre o consumidor e a qualidade do azeite.
As premiações internacionais são vitais para promover o azeite brasileiro, ressaltando o valor do produto e variando a experiência do consumidor. Atividades como degustações em mercados podem ajudar a educar os consumidores sobre as diferenças de qualidade, ao mesmo tempo em que se destaca a sustentabilidade na produção de azeite.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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