Moeda americana opera estável perto de R$ 5,15 enquanto mercado digere alta de juros nos EUA e redução da Selic pelo Banco Central

A cotação do dólar comercial era negociada por volta de R$ 5,15 por volta das 11h00 (horário de Brasília), registrando leve recuo em relação ao fechamento anterior. O valor acompanha um ambiente de menor apetite por risco global após a alta de juros dos Estados Unidos e o início de um ajuste de política monetária no Brasil.
✨ Dólar comercial perto de R$ 5,15 — movimento reflete combinação de alta do Fed e corte da Selic pelo Copom.
No fechamento de referência do Banco Central (PTAX) divulgado na quarta-feira, 16 de setembro, a taxa de venda ficou em R$ 5,1527. Em negociações à vista e cotações em plataformas de mercado o dólar vinha sendo cotado na faixa dos R$ 5,14–5,16 durante a manhã desta quinta-feira.
Entre os principais motores do movimento estão (i) a decisão do Federal Reserve, que aumentou a faixa de juros para 3,75%–4,00% na quarta-feira, sustentando o dólar no exterior; e (ii) a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil (Copom), que cortou a Selic em 0,25 ponto para 13,75% — um movimento que tende a reduzir, a prazo, o diferencial de juros que favorece ativos em reais. A combinação das duas decisões gera simultaneamente apoio ao dólar globalmente e pressão sobre o real por redução do prêmio doméstico.
A atratividade de ativos em reais depende do diferencial entre a Selic e as taxas nos EUA. Quanto maior o diferencial a favor do Brasil, maior a probabilidade de entrada de capital estrangeiro e fortalecimento do real; cortes na Selic reduzem esse diferencial, o que pode pressionar o câmbio se não houver compensações via fluxo comercial ou melhora no cenário doméstico.
O movimento observado hoje parece mais de ajuste imediato do que de virada clara de tendência. O Fed reforçou um suporte externo ao dólar ao elevar a taxa nos EUA; já o corte local da Selic faz com que o prêmio por manter reais diminua, criando um pano de fundo mais favorável para a moeda americana no curto prazo. Ainda assim, a Selic brasileira permanece elevada em termos absolutos — cerca de 9,75 pontos percentuais acima do teto da nova faixa do Fed — o que sustenta parte do apelo de ativos domésticos.
O mercado deve ficar atento ao fechamento oficial da PTAX no final do dia, ao comportamento das taxas de juros de longo prazo (Treasuries) e ao fluxo cambial entre grandes bancos e fundos. No âmbito doméstico, a atenção recai sobre sinais adicionais do Banco Central — por exemplo, a ata do Copom e comunicações sobre o futuro ciclo de juros — e sobre indicadores que possam alterar expectativas de inflação e crescimento. No exterior, próximos indicadores de atividade e inflação nos EUA também podem mexer com o dólar globalmente.
Esta matéria refere-se ao dólar comercial, referência usada por empresas, importações e mercado financeiro. O dólar turismo (para viagens e moeda em espécie) costuma ser mais caro, pois inclui margem das casas de câmbio e IOF sobre compras com cartão ou retirada de espécie.
Como parte do impacto prático, variações sustentadas do câmbio nessa faixa influenciam preços de importados, custos de insumos para indústrias que compram no exterior e despesas de quem viaja ao exterior. Pequenas oscilações intradiárias, no entanto, tendem a ter efeito limitado sobre preços ao consumidor no curto prazo — o impacto real depende da intensidade e da persistência do movimento cambial.
✨ Resumo: dólar perto de R$ 5,15; movimento reflete Fed mais duro e Copom mais duro; atenção para PTAX, ata do Copom e próximos dados econômicos.
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Jornalista especializado em Economia




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