Impasse com tarifas pode afetar frigoríficos brasileiros

O governo chinês anunciou que as importações de carne bovina do Brasil chegaram a 50% da cota estabelecida para o ano de 2026, totalizando 1,1 milhão de toneladas. Com isso, uma taxa adicional de 55% será aplicada assim que a cota for totalmente preenchida.
✨ O Brasil é o segundo país a atingir 50% da cota, após a Austrália.
Em março, a Austrália já havia alcançado essa marca com 205 mil toneladas. O governo da China notifica os fornecedores quando as importações atingem 50%, 80% e 100% da quantidade permitida. Dados recentes indicam que, entre janeiro e março de 2026, a China importou 869 mil toneladas de carne bovina de diversos fornecedores, representando pouco mais de 32% da cota geral de 2,6 milhões de toneladas estipulada.
As exportações brasileiras cresceram para 512 mil toneladas no primeiro trimestre, subindo para 46,3% da cota. Os dados de abril ainda não foram divulgados. Enquanto isso, as vendas dos Estados Unidos para a China caíram drasticamente, com apenas 544 toneladas exportadas nos primeiros meses do ano, muito abaixo das 164 mil toneladas autorizadas.
A Argentina preencheu 27,5% da sua cota até março; já o Uruguai alcançou 14,67% e a Nova Zelândia pouco menos de 14%.
Embora o comércio entre Brasil e China continue normalmente, frigoríficos brasileiros preveem o esgotamento da cota em breve, o que poderá impactar o ritmo de abates. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) estima que a cota poderá ser totalmente preenchida entre 15 de maio e 15 de junho.
"As empresas estão se esforçando para manter a proximidade com os importadores, independentemente das cotas.
Na última coletiva, Perosa também destacou que os preços da arroba do boi são influenciados pela aceleração da produção visando a cota chinesa. Ele alertou que, se os volumes não forem flexibilizados, o mercado pode enfrentar dificuldades para absorver a carne que deixará de ser enviada para os chineses.
No acumulado de janeiro a abril, o Brasil exportou 1,091 milhão de toneladas de carne bovina, um aumento de 14,6% em relação ao mesmo período de 2025.
A receita gerada nesse período atingiu US$ 6,047 bilhões, o que representa um crescimento de 32,8%. A China lidera as compras, com 474,2 mil toneladas adquiridas e gerando uma receita de US$ 2,724 bilhões, representando 43,5% do volume total exportado pelo Brasil.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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