Estudo revela forte potencial de descarbonização no setor agropecuário

A delegação brasileira apresentou na FAO, em Roma, um estudo que prevê uma diminuição de até 92,6% na intensidade das emissões da pecuária de corte até 2050, evidenciando o potencial do Brasil em descarbonizar seu setor agropecuário.
Intitulado "Trajetórias de Descarbonização da Pecuária de Corte no Brasil – 2025 a 2050", o levantamento, realizado pelo Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro), foi divulgado em colaboração com a ApexBrasil e a Abiec durante a Quarta Sessão do Subcomitê de Pecuária da FAO.
Na abertura do evento, Thanawat Tiensin, diretor da FAO, enfatizou a importância da colaboração entre diferentes setores para alcançar uma produção pecuária sustentável, destacando que cada nação deve seguir seu próprio caminho.
Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil, ressaltou que o estudo demonstra como o setor pecuário brasileiro pode reduzir suas emissões sem sacrificar a produtividade, “avançando de forma consistente na agenda climática.”
✨ A eficiência dos sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) é um dos fatores destacados no estudo, já alcançando 17 milhões de hectares no Brasil.
O levantamento revela que a produção de carne bovina no Brasil cresceu mais de 240% de 2004 a 2024, enquanto a área de pastagem foi reduzida em 11%. Camila Estevam, pesquisadora da FGV Agro, apresentou que as estratégias em andamento podem diminuir as emissões absolutas em até 60% até 2050.
No cenário mais otimista, a produção poderá atingir 18,2 milhões de toneladas de carcaça, com uma redução adicional de 35% na área de pastagens.
Para a indústria de exportação de carnes, apresentar essa pesquisa na FAO é visto como uma oportunidade de evidenciar a qualidade da produção brasileira a nível global. Fernando Zelner, diretor de Sustentabilidade da Abiec, destacou que o estudo pode contribuir significativamente para a imagem da carne brasileira no mercado exterior.
O estudo contempla práticas como recuperação de pastagens, integração produtiva, biotecnologia e aditivos alimentares para alcançar a redução das emissões na pecuária de corte.
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