Cenário desafiador devido a custos elevados e câmbio desfavorável

O Brasil está a apenas dois bilhões de dólares de se tornar o maior exportador de produtos agropecuários do planeta, superando os Estados Unidos, apesar de enfrentar desafios significativos, como altos preços de insumos e uma taxa de câmbio desfavorável.
Nos últimos ciclos, o agronegócio brasileiro atingiu níveis recordes, representando 25% do PIB nacional, 28% dos empregos formais e metade das exportações. Carlso Cogo, sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, destaca que, embora o Brasil lidere vendas de diversas commodities como soja, carne e açúcar, a baixa margem de lucro ainda representa um desafio crítico para os produtores.
✨ As exportações brasileiras saltaram de US$ 100 bilhões para US$ 160 bilhões durante a pandemia, aumentando as vendas em volume em várias categorias, como carne bovina e soja.
Apesar do aumento nas exportações, o produtor de soja enfrenta a menor margem da história, com apenas 2,24%. Os custos operacionais, superior a R$ 26 por saca, e as altas taxas de juros elevam ainda mais a pressão sobre o setor. Cogo enfatiza que, neste cenário, investir em novas tecnologias só deve ocorrer se elas garantirem resultados efetivos, pois a sobrevivência do produtor está em jogo.
O desvalorização do real em relação ao dólar, que caiu 20,5% no último ano, não se traduziu em aumento de receita em reais, especialmente com a soja sendo cotada em dólares. Os preços dos insumos, como fertilizantes, são extremamente preocupantes, uma vez que o Brasil é o maior importador mundial e depende de países com instabilidade política.
A dependência do Brasil em fertilizantes importados é alarmante: 98% do nitrogênio e 56% do fosfato vêm do exterior, e a demanda por insumos como enxofre está em déficit global. Essa situação pode agravar ainda mais os custos na produção agrícola.
Embora a China continue sendo o maior comprador de produtos agro brasileiros, sua taxa de importação de soja caiu drasticamente nos últimos anos, refletindo mudanças na demografia e nos hábitos de consumo. Por outro lado, o milho apresenta um panorama mais otimista, com um consumo global que supera a produção e os estoques em níveis baixos historicamente, o que pode resultar em futuras altas de preços.
"A produtividade agrícola no Brasil cresceu quase 3% ao ano nas últimas três décadas, marcando um diferencial competitivo em relação a outros países.
Cogo conclui que a diversificação de fornecedores e o uso de soluções biológicas e orgânicas são essenciais para mitigar riscos. Contudo, ele destaca que problemas relacionados à irrigação e à logística precisam de investimentos contínuos, garantindo a sustentabilidade do setor a longo prazo.
Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.
Gostou desta notícia? Compartilhe!

Jornalista especializado em Agronegócio

Aumento nos custos pressiona a rentabilidade dos produtores rurais.

Paraná se destaca com variação negativa nos fretes, exceto em Ponta Grossa

Inclusão de fertilizantes como minerais críticos e balanço da lei do combustível do futuro foram os temas abordados.

Bactéria contribui para o sucesso no cultivo de soja e milho