Novo levantamento do MapBiomas mostra intensificação do solo, domínio da soja e força crescente do milho safrinha

Um novo levantamento do MapBiomas revela que 32% de todo o território brasileiro está atualmente destinado às atividades agropecuárias. As análises por satélite mostram um ritmo acelerado de intensificação, especialmente em pastagens plantadas e nas principais áreas agrícolas do país.
✨ Apenas o milho da segunda safra ocupa 14,7 milhões de hectares — consolidando-se como a cultura dominante do ciclo.
Dados da plataforma mostram que quase dois terços das lavouras temporárias, como soja, milho e algodão, registraram múltiplos ciclos produtivos ao longo de 2024. O padrão mais comum permanece sendo a soja seguida pelo milho, reforçando a eficiência do sistema de plantio direto no Brasil.
O milho safrinha continua crescendo e alcançou um novo patamar em 2024. Cerca de 95% das áreas cultivadas vieram diretamente após a colheita da soja, o que evidencia uma dinâmica produtiva capaz de elevar a oferta sem necessidade de abrir novas áreas.
"“A segunda safra é um diferencial da agricultura tropical. Ela amplia a produção, melhora a rentabilidade e ainda contribui para o sequestro de carbono”
Mesmo com os avanços, especialistas alertam que fatores como degradação do solo, mudanças climáticas e redução no regime de chuvas podem comprometer a sustentabilidade do milho safrinha nas próximas décadas.
O país possui 155 milhões de hectares de pastagens. Desses, 34 milhões apresentam sinais de degradação, mas grande parte mantém médio ou alto vigor, especialmente na Amazônia, onde a biomassa anual supera 25 t/ha.
A soja continua como protagonista do ciclo de verão, atingindo 40,7 milhões de hectares em 2024 — quase dez vezes mais que em 1985. O MapBiomas destaca que 65% dessa área possui dois ciclos produtivos anuais, reforçando o papel da oleaginosa no sistema intensificado brasileiro.
O estudo também aponta que a expansão agrícola avança especialmente sobre áreas de pastagens, enquanto as próprias pastagens continuam ocupando espaços que antes eram vegetação nativa. Apesar disso, parte dessas áreas tem retornado para vegetação nativa ao longo das últimas décadas.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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