Especialistas divergem sobre as consequências das eleições nas relações comerciais do agro.

As eleições presidenciais podem trazer mudanças significativas na diplomacia agrícola do Brasil, de acordo com especialistas. A possível vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, marcado para 25 de outubro, gera divisões de opinião sobre as relações comerciais do país, especialmente com os Estados Unidos e a China.
Enquanto alguns argumentam que um governo sob Bolsonaro poderia estreitar laços com os EUA, levantam-se preocupações de que isso possa afetar negativamente a relação com a China, um dos principais parceiros comerciais do Brasil. Segundo Larissa Wachholz, especialista em relações com a China, um alinhamento maior com os Estados Unidos pode desencorajar investimentos chineses.
✨ A relação política com a China pode se tornar mais cautelosa, mas não necessariamente afetará imediatamente o comércio de produtos agrícolas.
O embaixador Rubens Barbosa observa que, independentemente do resultado eleitoral, o relacionamento comercial com a China deve ser mantido estável. Assim, os representantes do setor agropecuário estão certos de que medidas que prejudiquem a relação com o país asiático não serão adotadas, devido à dependência mútua existente.
Além das possíveis implicações com a China, a Europa também apresenta desafios e oportunidades. A expectativa é que, com a aprovação do acordo UE-Mercosul, haja um aumento no intercâmbio de produtos agropecuários, embora preocupações com a concorrência possam surgir.
Marcos Jank, professor do Insper, aponta que a possibilidade de uma aproximação maior com os EUA não deve provocar rupturas bruscas nas relações comerciais com a China. A complexidade do ambiente comercial internacional também está presente, sendo visto como um fator a ser considerado ao avaliar as futuras negociações.
Ricardo Santin, presidente da ABPA, reitera que as exportações de carne não devem sofrer mudanças significativas independentemente do resultado das eleições, reforçando a natureza apolítica do agronegócio. O Brasil é um importante fornecedor no comércio global de proteínas, e a dependência mútua entre produtores e compradores deve prevalecer.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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