Agronegócio brasileiro enfrenta aumento nas recuperações judiciais.

O quadro de endividamento entre agricultores e empresas do agronegócio brasileiro está se deteriorando, com previsões de agravamento para 2027. Essa informação surge do "Monitor RGF-Bizdoc", um estudo que examina as recuperações judiciais no país, realizado pelas consultorias RGF e Bizdoc.
Atualmente, o agronegócio é considerado "o epicentro do ciclo de insolvência" no Brasil, com 1.263 CNPJs de produtores que entraram em recuperação judicial no primeiro semestre de 2026, representando um crescimento de 21,4% em relação ao final de 2025 e 66% superior ao mesmo período do ano anterior.
✨ Cerca de 20% de todas as recuperações judiciais do país estão ligadas ao agronegócio, com 1.575 CNPJs contabilizados, incluindo insumos e agroindústria.
No setor agrícola, a cadeia da soja se destaca como a mais afetada, com 589 produtores em recuperação judicial, o que representa quase 46% do total. Em comparação ao encerramento de 2025, esse número subiu 26,7%. Além disso, 124 sojicultores solicitaram recuperação no primeiro semestre devido a vendas abaixo do custo nas últimas safras.
Outras cadeias também apresentaram casos alarmantes, como a pecuária de corte, que teve 19 recuperações, e aumentos significativos nas cadeias de arroz (+53,8%), milho (+45,2%) e café (+44,4%). A produção de leite enfrentou um aumento de 257%, alcançando 50 recuperações judiciais.
As regiões do Sul, especialmente o Rio Grande do Sul, e do Centro-Oeste, principalmente Mato Grosso, são as que mais registram recuperações, somando 392 e 391 respectivamente.
Outra preocupação que se destaca é o crescente número de pequenos e microprodutores enfrentando dificuldades financeiras, com 54% das recuperações judiciais correspondendo a microempresários. Desde 2023, o número de recuperações judiciais nesse segmento cresceu dez vezes.
Os especialistas indicam que o pior ainda está por vir, com aumentos nos pedidos de recuperação judicial previstos para o segundo semestre de 2026 e 2027, em meio a margens de lucro extremamente apertadas nas safras futuras. Fatores como a crise no Estreito de Ormuz, que afeta a importação de fertilizantes, agravam ainda mais a situação, tornando os custos de produção ainda mais altos.
Condições como a provável redução gradual da taxa Selic e a exclusão de setores estressados das tarifas dos EUA podem proporcionar algum alívio, mas seus efeitos só deverão ser percebidos entre 2027 e 2028.
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