Especialistas analisam o papel do crédito, comércio internacional e políticas públicas no abastecimento alimentar.

A segurança alimentar no Brasil foi foco de discussões no GAFFFF 2026, onde especialistas destacaram a importância do Plano Safra, do financiamento privado e do comércio internacional para assegurar a produção e o abastecimento de alimentos.
Representantes do Banco Mundial, BNDES, IICA e União Europeia concordaram que garantir a segurança alimentar envolve não apenas aumentar a produção, mas também sustentar o crédito, seguros rurais e políticas públicas eficazes, especialmente em tempos de crise. O financiamento é um elemento central nesse sistema.
✨ O Plano Safra movimenta entre R$ 500 bilhões e R$ 600 bilhões anualmente, representando aproximadamente um terço do financiamento agrícola brasileiro, conforme Caio Barbosa, do BNDES.
O BNDES contribui com cerca de R$ 50 bilhões por ano, mas Barbosa enfatiza que o sistema vai além dos recursos públicos, com instrumentos como LCA e CRA potencializando a participação do mercado privado no financiamento do agronegócio. A agricultura familiar desempenha um papel crucial na oferta de alimentos básicos, sendo beneficiada por linhas específicas do Plano Safra.
No entanto, o acesso ao crédito está se tornando cada vez mais vinculado a critérios ambientais, uma preocupação que resultou na recusa de cerca de R$ 1 bilhão em pedidos de financiamento pelo BNDES devido a indícios de desmatamento.
Olaf Schmidt, da IFC, destacou que a sustentabilidade pode criar novas fontes de financiamento e apoiar pequenas produções. Projetos no setor de leite no Nordeste e em Minas Gerais, financiados pelo Banco Mundial, almejam melhorar as condições de vida para os produtores locais.
Giovanni Coelho, do IICA, sublinhou a necessidade do seguro rural como uma medida de proteção contra riscos climáticos, citando exemplos de políticas brasileiras como o Plano ABC que são referência na América Latina.
O comércio internacional também foi ressaltado como um pilar da segurança alimentar. Jean-Pierre Bou, da União Europeia, mencionou inspeções recentes em produtos brasileiros e a continuidade de negociações para recuperar o comércio de carne bovina.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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