Desaceleração das vendas externas e concorrência intensa pressionam preços internos e impactam projeções.

O mercado do milho no Brasil está passando por um período desafiador, especialmente devido à desaceleração das exportações. Este contexto é agravado pela concorrência internacional crescente e pela valorização do real, fatores que podem dificultar o cumprimento da meta de embarques para 2026 e, ao mesmo tempo, pressionar os preços internos do cereal.
Dados da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA) demonstram que, apesar da demanda nacional, a situação atual é preocupante. Na Bolsa de Chicago, por exemplo, o preço do milho superou US$ 5,00 recentemente, encerrando a quinta-feira (8) a US$ 5,00, uma leve queda em relação à semana anterior.
✨ O Brasil exportou 5,21 milhões de toneladas de milho em setembro, o que representa uma queda de 31,1% em comparação ao mesmo mês do ano anterior.
Ainda que os preços do milho no Brasil estejam firmes, com valores entre R$ 52,00 e R$ 63,00 por saca, as exportações enfrentam um sério recuo. No terceiro trimestre de 2026, os embarques caíram de 16,8 milhões de toneladas em 2025 para 11,8 milhões, evidenciando uma queda de quase 30%.
Entre os fatores que influenciam essa redução, está a concorrência de países como a Argentina, que deverá colher até 72 milhões de toneladas nesta safra e pretende exportar 43 milhões até fevereiro de 2027. Além disso, a recente valorização do real está afetando a competitividade do milho brasileiro no mercado externo.
Para que o Brasil cumpra suas novas metas de exportação, será necessário um aumento significativo nos embarques nos próximos meses. As projeções da CEEMA sugerem que cerca de 17 milhões de toneladas precisam ser exportadas entre outubro deste ano e janeiro do próximo ano.
Com a possibilidade de a oferta exceder a demanda interna, os preços nacionais do milho também podem sofrer pressão, mesmo com o aumento da demanda doméstica. A localização geográfica dos compradores e o volume adquirido se tornaram fundamentais para a formação das cotações.
Por enquanto, as expectativas do mercado para as exportações brasileiras em 2026 foram reduzidas de 43 milhões para 38 milhões de toneladas. Enquanto isso, a China, principal comprador de milho brasileiro, apresenta uma diminuição na participação do milho em suas rações, o que pode afetar ainda mais as compras.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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