Expectativas climáticas e demanda chinesa impulsionam cotações

Entre 6 e 9 de julho de 2026, os preços da soja na Bolsa de Chicago experimentaram um crescimento acentuado, em resposta a previsões de clima seco nos Estados Unidos e ao aumento da demanda chinesa pelo grão americano.
Conforme relatado pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), a nova cotações alcançaram US$ 11,96 por bushel no dia 7 de julho, a maior marca desde 22 de maio. Este crescimento é notável, considerando que, em 29 de junho, o valor estava em US$ 11,08, representando uma alta de 7,9% ao longo de apenas cinco dias úteis de negociação.
✨ O aumento brusco nos preços é impulsionado por preocupações climáticas e pela retomada das importações chinesas.
Dois fatores principais estão por trás desse aumento dramático. O primeiro é a previsão de temperaturas acima da média e estiagem nas lavouras dos EUA, que suscitam preocupações sobre possíveis perdas na produtividade, mesmo com projeções de colheita superiores a 120 milhões de toneladas para o final de outubro.
O segundo fator é comercial: a volta das compras chinesas de soja americana, um movimento que está interligado às discussões entre os líderes Trump e Xi Jinping ocorridas em maio. E enquanto a situação das lavouras americanas é monitorada com atenção, os dados de 5 de julho revelaram que somente 64% das plantações estavam em condições consideradas boas ou excelentes, uma queda em relação aos 66% da semana anterior.
No setor comercial, foi noticiado que a trading chinesa Cofco reservou seis navios de soja dos EUA para embarque entre setembro e outubro. Apesar de ser um volume pequeno em relação ao mercado total, essa movimentação foi suficiente para estimular os preços em Chicago.
O aumento dos preços do petróleo, impulsionado pelo conflito entre EUA e Irã, também afetou o mercado do óleo de soja, que teve seu valor elevado para 71,39 centavos de dólar por libra-peso em 8 de julho.
No Brasil, a combinação de uma taxa de câmbio entre R$ 5,15 e R$ 5,20 por dólar, juntamente com prêmios que ultrapassaram um dólar por bushel nos portos nacionais, fez com que o preço da soja alcançasse R$ 122,00 por saca nas principais praças gaúchas, variando entre R$ 112,00 e R$ 125,00 em outras regiões. Este valor representa uma recuperação significativa em relação aos R$ 98,00 e R$ 114,00 registrados há dois meses.
A Agrinvest Commodities, consultada pela CEEMA, salientou que o futuro dos preços da soja no Brasil dependerá do equilíbrio entre diversas variáveis. Segundo eles, 'se a China começa a comprar dos EUA, para setembro e outubro, isso pode novamente pressionar a soja brasileira'.
Dados da Brandalizze Consulting mostraram que até 8 de julho, o Brasil já havia comercializado 71% da safra 2025/26, um número próximo da média histórica. Entretanto, a comercialização da nova safra está atrasada, com apenas 23% já negociados.
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