Café arábica registra média de R$ 1.770,88; qualidade dos grãos e estoques baixos impactam mercado.

Os preços do café arábica avançaram em agosto devido à menor disponibilidade de grãos de qualidade superior, baixos estoques certificados na Bolsa de Nova York e preocupações sobre as condições climáticas que podem impactar a próxima safra.
Conforme a Agromensal do Cepea, o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, registrou uma média de R$ 1.770,88 por saca de 60 quilos, refletindo uma alta real de 2,75% em comparação a julho. Esse aumento se deu mesmo com a conclusão da colheita da safra 2026/27, que deveria ter elevado a oferta no mercado interno.
✨ A sustentação dos preços está relacionada principalmente à qualidade dos grãos disponíveis, com as chuvas intensas de junho e julho prejudicando a qualidade do café na colheita.
Embora a expectativa para a safra 2026/27 seja de um volume recorde, a presença de cafés de qualidade inferior e peneiras menores tem diminuído a disponibilidade de lotes de maior qualidade. O mercado também teve um mês volátil, com o Indicador CEPEA/ESALQ alcançando R$ 1.826,58 por saca no dia 24, o maior nível desde abril, impulsionado por baixos estoques e aumento das posições compradas por fundos.
Na Bolsa de Nova York, o contrato com vencimento em dezembro de 2026 atingiu 341,65 centavos de dólar por libra-peso em 24 de agosto, mas fechou o mês a 311,50 centavos. Com a colheita quase finalizada, as atenções estão se voltando para a safra 2027/28, com chuvas no final de agosto favoráveis para os cafezais recém-colhidos, essenciais para a próxima florada.
Entretanto, o clima continua a ser um fator crítico, uma vez que a NOAA e o Centro de Previsão Climática dos EUA indicaram uma probabilidade de 95% de que o El Niño atinja uma intensidade muito forte entre outubro e dezembro, o que pode afetar a formação da nova produção.
Enquanto o arábica teve valorização, o robusta viu uma queda em sua média de preço. O Indicador CEPEA/ESALQ do robusta tipo 6, peneira 13 acima, a ser retirado no Espírito Santo, registrou média de R$ 1.065,16 por saca em agosto, uma queda de 2,51% em relação aos R$ 1.092,62 de julho, refletindo o término da colheita na região.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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