Excesso de importação compromete colheitas e gera prejuízos

Produtores de alho em Minas Gerais, especialmente na cidade de São Gotardo, enfrentam dificuldades devido à grande importação do produto, o que levou a um excesso no mercado local. José Reinaldo da Cunha, um dos agricultores da região, declarou que as vendas estão comprometidas e teme encerrar seu cultivo este ano se a situação não melhorar.
Cunha, que atua no setor desde 1967, reduziu sua área plantada de 180 hectares em 2025 para apenas 80 hectares no próximo ciclo. Ele observa que nunca havia enfrentado uma situação tão crítica, tendo ainda 45% da safra de 2025 não vendida. "A concorrência com alho importado, principalmente da Argentina, tem saturado o mercado e nos levado a prejuízos," afirmou.
✨ Os custos de produção estavam em torno de R$ 220 mil por hectare, e a mão de obra é predominantemente da região Nordeste.
O produtor reporta que alho importado é vendido a preços bem inferiores aos dos produtos locais, com uma caixa de 10 kg do alho nacional custando cerca de R$ 120, enquanto a mesma quantidade de alho importado varia entre R$ 95 e R$ 100. Esse aspecto gera uma competição desleal para produtores locais.
A Agrícola Wehrmann, em Cristalina, também está reduzindo sua área cultivada, de 550 para 500 hectares, após prejuízos do ano anterior. Rodrigo Ribeiro, diretor da empresa, enfatiza que o elevado custo de produção e as dificuldades com a comercialização têm dificultado a sustentabilidade do cultivo de alho.
Rafael Corsino, presidente da Anapa, também está diminuindo a área plantada, passando de 150 hectares para 95, em resposta às condições desfavoráveis do mercado.
No Rio Grande do Sul, produtores como Mateus Suzin estão igualmente enfrentando dificuldades. Suzin, que cultivava 45 hectares, planeja plantar apenas 25 este ano, evidenciando o impacto negativo da forte concorrência com o alho argentino. Ele menciona que, apesar da qualidade superior do alho brasileiro, os elevados custos de produção fazem com que a comercialização se torne um desafio.
✨ A produção de alho no Sul caiu drasticamente, passando de 5.500 hectares na década de 80 para cerca de 600 hectares atualmente.
Everson Tagliari, presidente da associação de produtores de alho em Santa Catarina, aponta que a região já não é mais a maior produtora do país, tendo cedido isso para Minas, Goiás, e agora para o Rio Grande do Sul, em grande parte devido à concorrência com o alho importado e a redução das áreas cultivadas localmente.
Tagliari destaca que nas últimas décadas, a produção local vem enfrentando um sério retrocesso, afetando não apenas a economia, mas também a estrutura social das comunidades agricultoras, uma vez que 95% dos produtores são da agricultura familiar.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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