Mudanças nas lavouras influenciadas por El Niño e dificuldade de crédito

Na safra de verão 2026/27, os agricultores do Rio Grande do Sul estão prevendo uma diminuição na área plantada com soja, enquanto o cultivo de milho deve crescer. Essa mudança foi revelada na primeira estimativa divulgada pela Emater-RS durante a Expointer, realizada em Esteio.
Os dados mostram que o milho será a única cultura a registrar aumento na área cultivada, com previsão de 896 mil hectares, representando um incremento de 7,42% em relação à safra anterior. A estimativa de produção para o milho é de 6,9 milhões de toneladas, um aumento de 7,18% em comparação ao último ciclo agrícola.
✨ A área destinada à soja, por outro lado, deve sofrer uma redução de 0,92%, totalizando 6,26 milhões de hectares.
Mateus Soares da Rocha, diretor técnico da Emater, explica que essa mudança se deve a questões climáticas, uma vez que o milho é plantado no início da primavera, período em que o fenômeno El Niño traz previsões de chuvas favoráveis. Este ano, os produtores buscam evitar os danos das estiagens consecutivas que afetaram as colheitas anteriores.
A redução da área de soja é amplamente atribuída à dificuldade de obter crédito rural, agravada pelo endividamento dos produtores após sucessivos períodos de seca. Rocha observa que mesmo com tentativas de melhorar o acesso ao crédito, a situação continua desfavorável.
"Com os insumos mais caros e a necessidade de um maior investimento em controle de pragas devido à umidade, muitos produtores estão optando por culturas mais rentáveis, como o milho.
Produtores como Michel Rodrigues, de Tupanciretã, estão aumentando suas áreas de milho para garantir uma colheita melhor e reduzir os riscos associados à soja. Ele confirma que vai iniciar o plantio de milho em breve: “Está sendo uma lavoura mais rentável, com bons preços, e a previsão de chuvas deve ajudar”, comenta.
Além disso, o arroz, outra importante cultura do estado, também verá uma queda na área plantada, conforme o Instituto Riograndense do Arroz (Irga). A plantação deve ocupar 861 mil hectares, uma diminuição de 3,4% em relação ao ano passado.
O fenômeno El Niño pode trazer um aumento significativo nas chuvas durante as próximas estações, mas também eleva os riscos de eventos climáticos extremos, o que exige mais cuidados dos produtores no manejo de suas lavouras.
Flávio Varone, agrometeorologista, ressaltou que é essencial acompanhar as condições climáticas em curto prazo para prever eventos significativos. A umidade proporcionada pelas chuvas pode ajudar os cultivos, mas também apresenta desafios para o manejo adequado nas lavouras.
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