Estudo da UEL revela como a planta sincroniza a atividade microbiológica com suas demandas nutricionais.

A interação entre o relógio biológico das plantas e os microrganismos do solo é crucial para a eficiência no uso de nitrogênio na cultura do arroz. Um estudo recente do professor Leandro Simões Azevedo Gonçalves, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), revelou que as plantas sincronizam a atividade da microbiota da rizosfera de acordo com a sua demanda por nutrientes.
Segundo a pesquisa publicada na revista Cell Host & Microbe, pelo pesquisador Du et al. (2026), essa sincronização é mediada pelo gene Nhd1, também conhecido como OsCCA1, que faz parte do relógio circadiano do arroz. Esse gene regula a liberação de exsudatos pelas raízes das plantas, influenciando assim a atividade dos microrganismos presentes no solo.
✨ O estudo constatou que a produção microbiana de amônio (NH₄⁺) aumentou durante o dia, com pico de absorção próximo ao entardecer. Em plantas com mutação no gene nhd1, essa absorção foi reduzida.
Adicionalmente, a pesquisa também destacou o papel do flavonoide quercetina 3-gentiobiosídeo (Q3Gen), que é liberado pelas raízes e regulado pelo Nhd1. Essa substância atuou em genes microbianos relacionados ao ciclo do nitrogênio, aumentando a disponibilidade de NH₄⁺.
Os pesquisadores desenvolveram um consórcio microbiano com Pseudomonas chengduensis e Brevundimonas bullata, que demonstrou elevar a produtividade e a eficiência do uso de nitrogênio em campo. No entanto, esse benefício não foi observado em plantas mutantes, indicando que o uso de bioinsumos depende da capacidade do genótipo vegetal em recrutar microrganismos e ativar suas funções no momento adequado.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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