Recuperação na produção encontra desafios climáticos e mantém cotações elevadas

A produção de café no Brasil está com previsão de ser recorde para a safra de 2026/27, porém desafios climáticos continuam a pressionar os preços no mercado internacional, segundo o Itaú BBA.
O relatório da instituição, publicado nesta quinta-feira, destaca que chuvas intensas em junho atrasaram o processo de colheita, secagem e tratamento dos grãos, o que dificultou a entrada do novo café no mercado. Adicionalmente, essas chuvas causaram a queda de frutos em regiões de destaque na produção de café arábica, como o Sul de Minas, Cerrado Mineiro e Mogiana, levantando incertezas sobre a qualidade.
Diante desse cenário, o mercado ajustou suas expectativas quanto à recuperação da oferta, resultando em estoques reduzidos e precauções entre os produtores na hora de comercializar. Como consequência, os preços se mostraram em alta, evidenciado pelo aumento de 16% no contrato do café arábica em Nova York, que ocorreu em um único dia no início de julho, influenciado também por dinâmicas técnicas e financeiras.
✨ Apesar da instabilidade, o cenário de oferta é mais otimista, com previsão de 190 milhões de sacas produzidas globalmente na safra 2026/27, um incremento de 6,1% em relação ao ciclo anterior.
As projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontam que o Brasil deve produzir 71,9 milhões de sacas, um crescimento de 14,1% frente à safra anterior, impulsionado pelo aumento na produção de café arábica, propiciado pela bienalidade positiva e condições climáticas favoráveis ao cultivo.
O consumo mundial de café deverá chegar a 180 milhões de sacas, resultando em um superávit de quase 10 milhões de sacas, o que permitirá uma leve recomposição dos estoques globais.
Com essa maior oferta, as exportações brasileiras de café verde têm potencial para crescer cerca de 30%, chegando a 49,4 milhões de sacas. No entanto, o acompanhamento do andamento da colheita e a qualidade do café serão cruciais nas próximas etapas do mercado.
Outro ponto de atenção para os produtores é a possibilidade de um El Niño mais intenso no segundo semestre de 2026, o que pode afetar o desenvolvimento da safra de 2027/28 e trazer mais volatilidade aos preços.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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