Medidas restritivas resultam em perdas significativas no comércio

A União Europeia anunciou a interrupção das importações de carne e produtos de origem animal do Brasil, um movimento que pode prejudicar gravemente o setor brasileiro. Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), destacou as dificuldades em atender aos critérios europeus relacionados ao uso de antimicrobianos.
✨ Brasil está excluído da lista de países aptos a exportar carne para a União Europeia.
Perosa menciona que o Ministério da Agricultura tem mantido diálogo com todos os envolvidos na cadeia produtiva para buscar soluções adequadas. Antimicrobianos, usados para tratar doenças em animais e como promotores de crescimento, estão no centro da controvérsia, com a legislação europeia impondo restrições severas.
A decisão da União Europeia, que vigorará a partir de 3 de setembro, impede o Brasil de exportar uma gama de produtos que, em 2024, incluía carne bovina, de frango e de cavalo, além de tripas, pescado e mel. Em contraste, nações vizinhas como Argentina, Paraguai e Uruguai continuam autorizadas a negociar com o bloco europeu.
✨ O Brasil deve levar cerca de dois anos para se adaptar às novas exigências de antimicrobianos.
Embora a exportação para o mercado europeu represente uma parcela reduzida do volume total de carne brasileira, ela é vista como estratégica devido ao foco em cortes premium. No último ano, 5% das exportações de carne do Brasil tinham como destino a União Europeia.
Outro fator complicador surgem das salvaguardas da China, que a partir de 1º de janeiro impôs cotas e sobretaxas sobre a carne bovina brasileira, limitando as importações a 1,1 milhão de toneladas anuais, com uma sobretaxa de 55% para volumes adicionais.
"Não temos a mesma demanda global de carne – Roberto Perosa
Perosa alerta que o efeito das novas restrições já se faz sentir, com frigoríficos relatando dificuldades financeiras e até férias coletivas. Ele destacará que a demanda internacional é crucial para a manutenção dos preços no mercado interno, que agora enfrenta uma pressão considerável.
Em resposta à pergunta sobre os preços da carne no Brasil, Perosa sugere que, inicialmente, os preços podem se manter estáveis. Contudo, mudanças nas condições de oferta e demanda podem resultar em aumentos futuros.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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