Nova tecnologia aproveita amido não convertido e reduz custos na produção.

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram uma levedura geneticamente modificada que aumenta a eficiência na produção de etanol a partir do milho. Essa inovação permite aproveitar o amido que normalmente não é convertido durante a fermentação, possibilitando a produção de mais biocombustível com a mesma quantidade de matéria-prima.
Além disso, a nova linhagem pode diminuir a necessidade de adição de enzimas comerciais no processo, reduzindo os custos para a indústria. Os resultados foram obtidos em testes de bancada e a tecnologia agora está em fase de validação em escala maior.
O trabalho foi realizado pelo Laboratório de Genômica e bioEnergia do Instituto de Biologia da Unicamp, sob a coordenação do professor Gonçalo Amarante Guimarães Pereira. A tecnologia foi licenciada para a Bionfood, uma empresa-filha da universidade, através da Agência de Inovação da Unicamp (Inova Unicamp) e com o apoio da Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp).
✨ Essa tecnologia visa resolver um dos principais problemas da produção de etanol a partir do milho, aumentando o rendimento e a eficiência das usinas.
Os pesquisadores utilizaram bioinformática e análise computacional de grandes bancos de dados genômicos para identificar uma alfa-amilase que funcionasse em temperaturas adequadas à fermentação. Isso representou um dos maiores desafios do projeto.
Após a identificação de enzimas promissoras, os cientistas inseriram os genes correspondentes em uma levedura industrial, criando uma cepa capaz de produzir uma nova alfa-amilase e uma nova glucoamilase.
Os testes mostraram que a nova levedura dispensou a adição externa de glucoamilase e foi capaz de quebrar parte do amido residual que geralmente é perdido no processo tradicional.
A nova tecnologia poderá, se o desempenho for confirmado em escala industrial, aumentar a quantidade de etanol gerada a partir do mesmo volume de milho e reduzir os gastos com enzimas comerciais.
Embora os resultados laboratoriais sejam promissores, a eficácia da levedura ainda precisa ser validada em condições que simulem o ambiente das usinas. A Bionfood, responsável pela validação, também realizará testes usando amido hidrolisado de processos industriais reais.
A produção de etanol de milho está crescendo no Brasil, respondendo atualmente por cerca de 30% da produção nacional. O milho oferece vantagens no armazenamento, pois pode ser mantido em silos por meses, ao contrário da cana-de-açúcar, que precisa ser processada rapidamente após o corte.
Caso os testes de validação confirmem os resultados obtidos em laboratório, a nova levedura poderá ser uma alternativa viável para melhorar o aproveitamento do milho e a eficiência das usinas de etanol.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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