Condições climáticas afetam lavouras e preços no Brasil disparam

Os preços do milho encerraram a semana em alta na Bolsa de Chicago, com o primeiro contrato sendo cotado a US$ 5,10 por bushel, após atingir US$ 5,14, o maior valor desde julho de 2023. Esse movimento é impulsionado pela deterioração das condições das lavouras nos Estados Unidos.
De acordo com a Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), o cereal havia encerrado a semana anterior a US$ 4,78 por bushel. Essa nova valorização foi desencadeada por um aumento nas preocupações em relação ao clima e ao potencial produtivo da colheita norte-americana.
✨ As lavouras dos EUA com classificação de boa e excelente caíram para 57%, ante 60% uma semana antes e 71% no mesmo período de 2025.
Apesar da queda na qualidade, o ciclo da safra avança, com 86% das áreas em enchimento de grãos, superando a média de 82% para esta época do ano. Essa incerteza em torno dos números finais da produção resultou em estimativas mais baixas por parte do Crop Tour Pro Farmer, que projetou a safra em 389,7 milhões de toneladas, em contraste com as 406,8 milhões do USDA em agosto.
Diante desse contexto, a produção atual pode apresentar uma queda de 4,2%, e a produtividade uma redução de 7,1%. No Brasil, os reflexos dessa alta externa já podem ser percebidos, com os preços no Rio Grande do Sul girando em torno de R$ 59 por saca, enquanto em outras regiões variam entre R$ 46 e R$ 66.
A retirada da safrinha permanece em ritmo abaixo da média, com dados da Pátria AgroNegócios indicando que a colheita alcançou 84,4% da área nacional, comparada à média histórica de 87,5%. No Centro-Sul, 92% das lavouras haviam sido coletadas até 20 de agosto, uma redução significativa frente aos 98% registrados no mesmo período do ano passado.
O cenário das exportações apresentou também uma queda. A Anec revisou a previsão de embarques de milho em agosto, reduzindo para 5,45 milhões de toneladas, cerca de 1,9 milhão a menos que no mesmo mês de 2025. Nos primeiros 15 dias úteis do mês, a média diária exportada pelo Brasil foi 29,8% inferior à do mesmo período do ano anterior.
Entretanto, mesmo com a queda no volume embarcado, o preço médio da tonelada exportada subiu, indo de US$ 197,90 em agosto de 2025 para US$ 217 neste mês, uma alta de 9,6%. Nas próximas semanas, o mercado deverá se manter atento às condições da safra dos Estados Unidos e ao avanço da oferta no mercado interno.
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