Parceria no agronegócio fortalece laços históricos entre os dois países

A Seleção Brasileira se prepara para um confronto crucial com o Japão nesta segunda-feira (29), às 14h, no Estádio de Houston, durante a fase eliminatória da Copa do Mundo. Contudo, além da disputa em campo, os dois países cultivam uma relação robusta no setor do agronegócio.
O comércio bilateral entre Brasil e Japão, destaque para o café brasileiro, alcançou um total de US$ 11,5 bilhões em 2025, refletindo um aumento de 4,8% em comparação a 2024. O Japão ficou em 12º lugar entre os destinos das exportações brasileiras, enquanto ocupou a 10ª posição em relação aos fornecedores, representando 2,16% de todas as importações do Brasil.
✨ O café não torrado dominou as vendas brasileiras ao Japão, responsável por 18,1% das exportações e gerando aproximadamente US$ 1 bilhão no ano de 2025.
As carnes de aves e suas miudezas, tanto frescas quanto congeladas, seguiram na lista, contribuindo com 15,3% do total exportado e arrecadando US$ 840 milhões.
A colaboração entre Brasil e Japão remonta ao final do século XIX, consolidada com a imigração japonesa e extensos investimentos ao longo dos anos. Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), destaca que a imigração foi crucial para a relação comercial: 'Os primeiros imigrantes japoneses chegaram em 1908 para trabalhar no café, estabelecendo uma conexão que persiste até hoje'.
Após a Segunda Guerra Mundial, as relações foram revitalizadas, especialmente em 1952, com a reabertura diplomática e a formalização de acordos comerciais. Ao longo dos anos, os dois países intensificaram investimentos em diversos setores, como agricultura e mineração.
De acordo com Matos, o Japão se destaca como um mercado de alta qualidade. 'A categoria de cafés especiais, com certificações de sustentabilidade e qualidade, continua a posicionar o Japão como um dos maiores compradores', afirma.
Os dados de importação indicam que o Japão ocupou a quarta posição em 2025, com um crescimento significativo de quase 20%, atingindo 2,6 milhões de sacas de café. Entretanto, os primeiros meses de 2026 mostraram uma queda para a quinta posição, com uma redução de 32,6%, em parte devido ao fenômeno de entressafra e desafios climáticos.
Matos acredita que a nova safra, prevista para ser recorde, pode reverter essa tendência e aumentar as exportações em direção ao Japão, especialmente a partir do meio do ano, quando a colheita deverá ser mais expressiva.
Apesar das flutuações recentes, ele se mantém otimista quanto à continuidade da relação comercial. 'Construímos uma relação sólida ao longo dos anos, e, com a qualidade e a competitividade do café brasileiro, prevemos um futuro positivo', conclui.
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Jornalista especializado em Brasil

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