Pesquisa na Universidade de Purdue busca desenvolver tomates menos dependentes de fungicidas

O agrônomo Henrique Petry Feiler desenvolve um estudo nos Estados Unidos, na Universidade de Purdue, que visa compreender a interação entre genética do tomate e microrganismos para fortalecer as defesas naturais da planta contra doenças. Este trabalho pode revolucionar a forma como essas culturas são cultivadas, reduzindo a dependência de fungicidas.
Durante a pesquisa, Feiler identificou uma parte do genoma do tomate que se comporta de maneira semelhante a uma vacina. Quando a planta entra em contato com microrganismos benéficos, essa interação proporciona uma defesa maior. O agrônomo ressalta que o aprimoramento genético focado nesta região pode diminuir a necessidade de fungicidas, um custo significativo para os produtores.
✨ Cerca de 15% dos custos de produção de tomate são relacionados ao uso de fungicidas.
O estudo abrangeu 450 variedades de tomate, resultado do cruzamento entre tipos selvagens e cultivados, e faz parte de um projeto de melhoramento de cultivares com apoio do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). O foco principal foi no mofo cinza, uma ameaça significativa tanto no campo quanto após a colheita.
Feiler explica que a resistência sistêmica induzida (ISR) é um mecanismo de defesa que depende de fatores genéticos e dos microrganismos do solo. Contudo, sua aplicação em tomates ainda é pouco compreendida. A pesquisa analisou três fatores: compostos liberados pelas raízes, microrganismos associados e suas diferenças genéticas.
"A identificação do microbioma que ativa o sistema de defesa natural das plantas deve resultar na redução do uso dos fungicidas.
Na próxima fase do projeto, serão realizados testes em variedades superiores de tomates, que oferecem alta produtividade e qualidade, permitindo explorar respostas para outras doenças e inoculantes.
O estudo é uma colaboração entre a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a Universidade de Purdue, sendo um marco na formação de pesquisadores brasileiros na área.
Com a conclusão do estudo, Feiler planeja refiná-lo nos próximos anos nos Estados Unidos, com futuros planos de publicá-lo em revistas científicas e no banco de dados da Universidade de Purdue.
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Jornalista especializado em Ciência

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