Setor de biocombustíveis vê potencial de criação de empregos

O fortalecimento do processamento da soja no Brasil pode multiplicar por mais de três vezes a geração de riqueza nacional e gerar novas oportunidades de emprego na economia.
Apesar da preocupação com o atraso nas diretrizes de biocombustíveis, especialistas acreditam que o crescimento da produção de soja continuará, mesmo que a um ritmo mais lento devido ao aumento dos custos de produção para a próxima safra.
✨ O processamento doméstico de soja pode gerar R$ 5.746 por tonelada, em comparação a R$ 1.862 ao considerar a produção bruta.
Nicole Rennó, pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), informa que o processamento industrial não só aumenta a riqueza gerada, mas também impacta positivamente toda a cadeia agroindustrial.
Atualmente, o Brasil possui uma capacidade instalada de esmagar entre 72 e 73 milhões de toneladas de soja anualmente, com uma expectativa de processamento de cerca de 62 milhões de toneladas neste ano. Isso representa um espaço para processar cerca de 10 milhões de toneladas adicionais, segundo Daniel Furlan Amaral, diretor da Abiove.
✨ Este processamento adicional pode resultar em 8 milhões de toneladas de farelo e 2 milhões de toneladas de óleo.
Além de aumentar a oferta de biodiesel em percentuais como B16 ou B17, o óleo extra pode atender à demanda por exportações e novos mercados, enquanto o farelo contribuirá para a redução dos custos de ração na cadeia de proteína animal.
As atuais condições já justificam a adoção do B16, dado que o biodiesel brasileiro possui alto grau de pureza. A mudança regulatória necessária seria mínima, abaixo de 0,5 ponto percentual em relação ao limite vigente estabelecido pela ANP.
Além disso, o setor vê oportunidades promissoras na expansão de combustíveis renováveis, como o diesel vegetal, SAF (combustível sustentável para aviação) e HVO (Óleo Vegetal Hidrotratado), reforçando a importância da industrialização de soja para a economia do Brasil.
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Jornalista especializado em Economia

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