Bank digital administrava US$ 850 milhões em recursos públicos, impactando beneficiários e gerando protestos.

A recente quebra do Ueno Bank, um dos principais bancos do Paraguai e o maior banco digital em termos de clientes, gerou uma crise que afeta aproximadamente 3 milhões de pessoas. A instituição, responsável por administrar quase US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo verbas da Previdência e do Ministério da Saúde, agora coloca em risco o pagamento de benefícios a aposentados.
O colapso resultou em um bloqueio de acesso às contas bancárias, aplicativos e cartões de seus clientes. Dentre os afetados, há muitos brasileiros que residem no Paraguai e são dependentes dos serviços oferecidos pela instituição. A crise desencadeou protestos nas ruas de Assunção, onde manifestantes clamaram pela devolução do dinheiro retido no banco e exigiram o impeachment do presidente Santiago Peña.
✨ As manifestações aconteceram no dia 3 de setembro, mas foram reprimidas pelas forças de segurança.
Diante da gravidade da situação, o presidente da Câmara convocou uma sessão extraordinária para discutir os desdobramentos da crise. Mudanças significativas também ocorreram na cúpula do sistema financeiro paraguaio, com a renúncia do presidente do Banco Central e a prisão de oito diretores do Ueno Bank. A investigação revelou que o índice de solvência do banco havia despencado para menos da metade do mínimo exigido pela legislação.
O Banco Central, por conta dessa crise, decretou a intervenção na instituição. Vale ressaltar que, até o ano passado, o presidente Santiago Peña era sócio do grupo controlador do Ueno Bank, o que intensificou a pressão política sobre o governo. O banco teve ainda um papel relevante no esporte local, patrocinando a seleção paraguaia de futebol, cujos jogadores manifestaram solidariedade às vítimas da situação, sendo que alguns deles também tinham recursos na instituição.
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