Especialistas questionam a cifra de 303,7 bilhões de barris citada pelo governo venezuelano.

A Venezuela alega ter 303,7 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo, o maior volume mundial, mas essa cifra é contestada por especialistas. De acordo com análises, o total recuperável nas condições atuais ficaria entre 60 bilhões e 120 bilhões de barris, valor insuficiente para superar a Arábia Saudita.
A controvérsia se intensificou após o anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre um acordo que permitiria ao país controlar 65 bilhões de barris de reservas venezuelanas. Trump ressaltou que essa seria a maior operação desse tipo, visando melhorar as reservas estratégicas dos EUA e reduzir os preços da gasolina, que têm sido afetados pela guerra com o Irã.
✨ Analistas afirmam que o número citado por Trump envolve campos quase esgotados ou não desenvolvidos, particularmente na complexa Faixa do Orinoco.
Evanan Romero, ex-funcionário do setor energético venezuelano, comentou que os 65 bilhões de barris mencionados não refletem a realidade dos ativos disponíveis. Luisa Palacios, ex-presidente do conselho da Citgo, por sua vez, sugere que essa cifra pode referir-se ao petróleo no subsolo, não às reservas viáveis, estimando que cerca de 5% se confirme como reservas comprovadas, ou seja, aproximadamente 3,2 bilhões de barris.
Enquanto isso, a consultoria Ryder Scott estima que a Faixa do Orinoco contém mais de 1 trilhão de barris em petróleo, mas não especifica a quantidade que pode ser extraída com alta probabilidade, critério essencial para a classificação de reservas comprovadas.
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) continua a contabilizar a Venezuela como líder em reservas de petróleo desde 2011, atribuindo-lhe 303,7 bilhões de barris em seu relatório mais recente. As divergências acerca dos métodos de cálculo e da capacidade de recuperação do petróleo estão no cerne da análise sobre as reais reservas da Venezuela e o valor dos ativos mencionados no acordo com os Estados Unidos.
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