Valorização da moeda norte-americana impacta mercado e agronegócio.

O dólar à vista subiu 1,63% nesta sexta-feira, fechando o dia cotado a R$ 5,0678, marcando o maior fechamento desde o dia 8 de abril. Ao longo da semana, a moeda americana apresentou uma valorização total de 3,55%, impulsionada por uma combinação de fatores, incluindo a alta do petróleo e o aumento nas taxas dos títulos públicos dos Estados Unidos.
Durante a sessão, a moeda atingiu uma máxima de R$ 5,0818 no início da tarde. Com uma alta acumulada de 2,32% em maio, após uma queda de 4,36% em abril, o dólar reflete uma recuperação significativa. No balanço geral de 2026, a perda da moeda frente ao real caiu para 7,67%, depois de ter ultrapassado 10% em períodos anteriores.
✨ O aumento na aversão ao risco, decorrente da intensificação do conflito no Oriente Médio, gerou preocupações sobre a inflação do petróleo.
O contrato do petróleo Brent para julho subiu 3,35%, atingindo US$ 109,26 por barril, e acumulou um crescimento de 7,87% na semana. Paralelamente, o índice DXY, que rastreia o desempenho do dólar em relação a seis moedas fortes, superou 99,000 e avançou mais de 1,40% semanalmente.
Outras variáveis que influenciam a situação incluem o aumento nas taxas dos Treasuries de 10 anos, que alcançaram 4,59%. Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital, observa que o cenário exterior é caracterizado por juros mais elevados nos EUA e uma expectativa reduzida de corte nas taxas pelo Federal Reserve.
No contexto doméstico, os agentes do mercado estão atentos aos desdobramentos políticos que afetam as posições em real. A valorização do dólar pode transformar a precificação nas cadeias exportadoras, favorecendo as receitas em reais dos produtos comercializados em dólar. Contudo, essa valorização também eleva os custos de insumos importados, como fertilizantes e máquinas, contribuindo para a volatilidade do mercado.
O impacto final nos diferentes segmentos do agronegócio dependerá da intensidade da exposição ao mercado externo e à dolarização dos custos. A trajetória cambial no curto prazo continuará a ser influenciada pelas taxas de juros nos EUA, pelo cenário geopolítico no Oriente Médio e pelos fatores políticos internos.
A falta de novos dados oficiais sobre o fluxo cambial nesta sexta-feira torna essencial o monitoramento contínuo da evolução dos preços internacionais do petróleo e as decisões futuras do Federal Reserve para compreender melhor os efeitos no agronegócio.
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Jornalista especializado em Economia

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