No último pregão útil (30/10/2026) o dólar comercial encerrou perto de R$ 5,45; PTAX do Banco Central ficou em R$ 5,4212. Movimentação reflete tensões políticas domésticas e reação a juros e yields nos EUA.

A cotação do dólar comercial encerrou o último pregão útil (sexta‑feira, 30/10/2026) cotada perto de R$ 5,45 no mercado à vista da B3, com alta intradiária e fechamento acima dos níveis vistos antes das eleições. A referência PTAX divulgada pelo Banco Central, usada para liquidação e balanços, ficou em R$ 5,4212 (fechamento de 30/10/2026).
✨ Dólar comercial (B3): ~R$ 5,45 no fechamento de 30/10/2026. PTAX (BCB): R$ 5,4212 — última referência oficial disponível.
O movimento ao final da semana foi influenciado por fatores domésticos e externos. No Brasil, a reação do mercado às incertezas fiscais após o resultado eleitoral manteve a pressão sobre o real: ajustes de posições por investidores e saída líquida de recursos estrangeiros nas últimas sessões intensificaram a demanda por dólar. No exterior, oscilações nos rendimentos dos Treasuries e o comportamento das bolsas americanas (volatilidade em setores de tecnologia) também contribuíram para a maior procura por ativos considerados mais seguros.
A PTAX é a taxa de referência calculada pelo Banco Central com base em consultas ao mercado e é usada para liquidação de contratos e balanços. Já o dólar comercial negociado na B3 (mercado à vista) reflete as operações entre instituições no pregão e pode divergir da PTAX no curto prazo. Ambas as referências são relevantes, mas têm papéis distintos.
Fechar a sessão perto de R$ 5,45 marca um patamar mais desafiante para a estabilidade do real em 2026 e indica que o mercado continua sensível à agenda fiscal e a fluxos internacionais. Se o movimento for mantido nas próximas sessões, pode aumentar o custo de hedge para empresas importadoras e pressionar expectativas de inflação, embora um único pregão não determine tendência — o que importará é a persistência das saídas de capital e sinais concretos sobre política fiscal.
Para o consumidor, a alta do dólar tende a encarecer compras internacionais, eletrônicos importados e pode pressionar preços de combustíveis e outros bens com conteúdo importado. Para importadores e empresas com dívida em dólar, a volatilidade eleva custos de hedge. Já exportadores podem ver melhora temporária na competitividade, dependendo da dinâmica de preços e demanda externa.
O mercado ficará atento ao retorno das negociações na segunda‑feira e a qualquer declaração oficial que possa alterar a percepção sobre o risco fiscal no país. Movimentos bruscos nos juros ou nos fluxos externos podem intensificar a volatilidade do câmbio.
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Jornalista especializado em Economia

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