Desempenho desigual entre agricultura e pecuária impacta projeções

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro é projetado para R$ 3,13 trilhões em 2026, mas com perspectivas diferenciadas entre os setores agrícola e pecuário. De acordo com o CEPEA e a CNA, o segmento agrícola deve registrar uma queda anual de 13,7%, ao passo que a pecuária tem previsão de crescimento de 2,8%.
Conforme o relatório da 30ª edição do Radar Macroeconômico do Departamento Econômico da FAESP, a combinação desses dois setores representa 22,8% do PIB total do Brasil, com uma expectativa de retração geral de 7,8% para o ano. A agricultura, estimada em R$ 1,88 trilhão, enfrenta uma queda em todos os segmentos analisados, sendo o primário o mais afetado: com uma retração esperada de 21%.
Os preços em queda de produtos agrícolas têm impactado o valor gerado pela produção. Por outro lado, a pecuária deve alcançar R$ 1,25 trilhão, com a agroindústria projetando um crescimento de 7,9% e os agrosserviços 7,6%. Dentro da pecuária, a bovinocultura de corte se destaca, apresentando aumento na produção, impulsionada pelas exportações e pela demanda interna.
O mercado de trabalho se mantém resiliente, encerrando o trimestre de junho com uma taxa de desocupação de 5,4% e uma população ocupada de 103,1 milhões, sendo 7,9 milhões no setor agropecuário. O rendimento médio habitual cresceu 2,8% em relação ao ano anterior, alcançando R$ 3.738.
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou 4,44% em 12 meses até julho, ingressando dentro da meta, embora a alta de 0,07% no mês tenha sido pressionada pela queda de 1,14% nos preços de alimentos no domicílio, especialmente tubérculos, raízes e legumes.
✨ A taxa Selic foi reduzida para 14% ao ano em agosto.
Contudo, o cenário econômico mantém incertezas, com riscos de alta nos preços, o que limita a calibragem do ciclo econômico dependendo de novas informações e expectativas. As contas públicas chamam atenção, com um déficit primário de R$ 55,3 bilhões em junho e um déficit nominal total de R$ 166 bilhões.
A dívida bruta do governo geral já alcançou 81,9% do PIB, enquanto a dívida líquida do setor público ficou em 68,5% do PIB. Em contrapartida, o desempenho externo apresenta uma melhora, onde o déficit em transações correntes caiu para US$ 2,3 bilhões em junho, comparado a US$ 5,2 bilhões no mesmo mês de 2025, impulsionado por um saldo positivo na balança comercial de US$ 8,8 bilhões.
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Jornalista especializado em Economia

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