Setor ainda enfrenta desafio apesar de queda nas importações de aço.

A produção de aço bruto no Brasil sofreu uma queda de 1,9% nos primeiros cinco meses de 2026, totalizando 13,4 milhões de toneladas. Essa diminuição, divulgada pelo Instituto Aço Brasil, reflete a pressão de um mercado que ainda enfrenta um quadro de demanda reduzida e incertezas industriais.
No período de janeiro a maio, as vendas internas de aço aumentaram 0,9%, atingindo 8,7 milhões de toneladas, enquanto as exportações subiram 7,8%, somando 4,4 milhões de toneladas. Em contrapartida, as importações registraram um recuo significativo de 17%, caindo para 2,4 milhões de toneladas.
O consumo aparente, que mede a oferta de aço disponível no Brasil, totalizou 10,8 milhões de toneladas, o que representa uma diminuição de 4,1% em relação aos primeiros cinco meses de 2025. Essa queda é atribuída, principalmente, à redução nas importações.
Ao comparar apenas o mês de maio de 2026 com o mesmo mês do ano anterior, as estatísticas apresentam um cenário misto. A produção de aço bruto cresceu 2,4%, alcançando 2,8 milhões de toneladas, e as vendas internas aumentaram 1,3%, somando 1,8 milhão de toneladas. No entanto, o consumo aparente caiu drasticamente em 14,1%, totalizando 2,1 milhões de toneladas, com as exportações decrescendo 35% para 645 mil toneladas e as importações caindo 55,4%, para 312 mil toneladas.
✨ Queda expressiva nas importações reflete medidas de defesa comercial.
A significativa diminuição das importações ocorre em um período em que a indústria siderúrgica do Brasil está tentando mitigar a pressão que o aço importado exerce sobre o mercado interno. O governo tem implementado mecanismos de defesa comercial e renovado as proteções contra produtos importados, algo que as siderúrgicas nacionais vinham solicitando há tempos. Embora os efeitos dessas medidas comecem a ser notados, como demonstrado pelos dados de maio, a cautela no setor permanece devido à incerteza na economia global.
Indicadores mostram que a confiança no setor siderúrgico encolheu. O Índice de Confiança da Indústria do Aço caiu para 47,8 pontos em junho, uma diminuição de 12,1 pontos em relação ao mês anterior. Esse índice ultrapassa a barreira de 50 pontos, que distingue confiança de desconfiança, alcançando o ponto mais baixo deste ano.
Embora a diminuição nas importações sugira que as estratégias de defesa comercial começam a surtir efeito, isso ainda não é suficiente para elevar a confiança dos executivos na indústria. O setor continua a lidar com um excesso de capacidade global, principalmente na China, além da demanda geral fraca e uma concorrência internacional acirrada. No Brasil, a redução do consumo aparente indica que a questão não se limita apenas às importações, mas também à fraqueza da demanda interna, em um ambiente caracterizado por taxas de juros altas e incertezas quanto à recuperação econômica dos principais setores consumidores, como construção e maquinaria.
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Jornalista especializado em Economia

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