Recuperação extrajudicial revela reavaliação drástica de ativos

Em um resultado impactante, a Raízen, empresa que protagonizou a maior recuperação extrajudicial da história, finalizou o exercício fiscal de 2025/26 em 31 de março com um prejuízo de R$ 27,1 bilhões. Desse total, R$ 22,5 bilhões se referem a provisões para perdas, reflexo da necessidade de reavaliação de ativos registrada após o pedido de recuperação extrajudicial em 12 de março.
Das provisões mencionadas, R$ 12,5 bilhões estão relacionados a incertezas sobre a continuidade operacional da empresa. Situações potenciais, como a possibilidade de desativação de ativos avaliados em R$ 4,3 bilhões, perdas em compensações de impostos de R$ 3,8 bilhões e R$ 2,8 bilhões em tributos não recuperáveis, estão entre as preocupações da companhia. A Raízen indicou que tais valores podem ser revisados conforme o plano de recuperação evolui.
✨ A dívida bruta da Raízen atingiu R$ 71,8 bilhões, com R$ 65,7 bilhões sob recuperação extrajudicial.
No exercício em questão, a empresa arcou com R$ 11,7 bilhões em encargos de dívida, com R$ 4 bilhões apenas no último trimestre. O montante de dívida bruta reflete uma troca de linhas de crédito por instrumentos financeiros, além do incremento na taxa de juros, elevando sua carga financeira. Além disso, a Raízen registrou um aumento da dívida líquida em 69,9%, totalizando R$ 23,9 bilhões em relação ao ano anterior.
A Raízen consumiu R$ 9 bilhões de seu caixa, encerrando a temporada com R$ 13,6 bilhões disponíveis. O setor de distribuição de combustíveis foi o destaque positivo, com um crescimento de 35,5% no Ebitda, alcançando R$ 5,7 bilhões. Por outro lado, o segmento de açúcar e etanol teve um desempenho negativo, apresentando uma queda de 23,9% no Ebitda, com a produção afetada pela quebra na colheita de cana-de-açúcar.
"A Raízen está melhor posicionada para iniciar um novo ciclo, com geração de valor mais previsível e consistente
Com as ações de reestruturação de capital concluídas em conjunto com seus credores, a Raízen afirmou que isso cria condições propícias para uma significativa redução de alavancagem e para a retomada de uma trajetória sustentável de crescimento.
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Jornalista especializado em Economia




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