Votação pode impactar adesão à UE e disputa de influência entre EUA e Rússia.

Os cidadãos da Bósnia e Herzegovina compareceram às urnas neste domingo para escolher a presidência colegiada e o Parlamento nacional, em uma eleição que pode ter um forte impacto nas ambições do país de aderir à União Europeia, além de influenciar as rivalidades entre Rússia e Estados Unidos na região.
A votação também inclui a escolha de representantes para os legislativos das entidades que compõem o país. Problemas técnicos no sistema de votação eletrônica resultaram no fechamento temporário de alguns locais, conforme relatado por Jovan Kalaba, presidente da Comissão Eleitoral Central.
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Com a crescente insatisfação popular devido à desaceleração econômica e a estagnação nas negociações para a entrada na UE, as expectativas em torno dessa eleição são elevadas. Os partidos dominantes, que representam diferentes grupos étnicos, frequentemente paralisam decisões no governo central, o que gera frustração entre os eleitores.
Após a guerra devastadora entre 1992 e 1995, a Bósnia obteve status de candidata à UE em dezembro de 2022, mas a falta de acordo em questões como a supervisão judicial impede o avanço nas negociações de adesão. Os primeiros resultados da eleição são aguardados após o fechamento das urnas, às 19h, horário local.
O país é marcado por divisões étnicas, com o partido SDA, de maioria bósnia, e o SNSD, vinculado aos sérvios, se enfrentando em meio a coalizões de oposição multiétnicas. A participação eleitoral até o início da tarde era de apenas 11,94%, refletindo a desmotivação de muitos eleitores.
A presença cada vez maior da União Europeia nos Bálcãs e a tentativa de influência da Rússia, que apoia a Republika Srpska, são fatores que complicam ainda mais o cenário político da região. A disputa pela influência dos EUA, que investe em energia na Bósnia, também se revela um ponto de tensão nas relações internacionais.
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Jornalista especializado em Internacional

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