Evento gerou reações intensas devido ao legado controverso do ex-general sérvio-bósnio.

Milhares de pessoas se reuniram em Belgrado nesta segunda-feira (7) para o funeral do ex-general sérvio-bósnio Ratko Mladic, que faleceu enquanto cumpria prisão perpétua por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
Com bandeiras da Sérvia e fotos de Mladic, os participantes se concentraram em frente a uma igreja em um subúrbio da capital, onde o patriarca da Igreja Ortodoxa, Porfirije, conduziu a cerimônia religiosa. O caixão de Mladic foi levado em um cortejo militar, cercado por soldados e uma banda de metais, enquanto a multidão gritava seu nome.
O funeral de Mladic se tornou um dos maiores desde a queda do comunismo em 1990, refletindo a continua reverência por ele entre muitos sérvios, apesar de seu papel no massacre de Srebrenica em 1995 e no cerco de Sarajevo. 'Ele é um herói', disse um dos presentes.
✨ A morte de Mladic reacende debates acalorados sobre os conflitos étnicos e a glorificação de figuras controversas na história da ex-Iugoslávia.
A comissária da União Europeia, Marta Kos, cancelou uma visita à Sérvia devido ao elogio a Mladic após sua morte. 'Qualquer glorificação de criminosos de guerra contradiz os valores europeus', afirmou um porta-voz da UE.
O evento também causou reações na Bósnia, onde o ministro das Relações Exteriores convocou a retirada de funcionários da embaixada em protesto pela condução do funeral e pela presença de oficiais do governo sérvio.
Em Sarajevo, a memória do conflito foi reavivada, com algumas emissoras bloqueando a transmissão ao vivo do funeral. 'É horrível que isso esteja acontecendo', afirmou uma mulher cuja criança foi morta durante o cerco da cidade.
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Jornalista especializado em Internacional

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