ONG luta para dar voz e visibilidade às demandas de quem vive nas ruas de São Paulo.

André Soler, fundador de uma das principais ONGs de cuidado à população de rua em São Paulo, apresenta um fotolivro que documenta histórias de vidas impactantes. Ao folhear as páginas, faz referência a experiências marcantes que observou, como a de Ricardo, que perdeu um braço em um acidente trágico ao surfar em um trem.
A SP Invisível, em atuação primordial neste ano eleitoral, tenta trazer à tona a realidade de uma população que, muitas vezes, não é ouvida. Somente em 2024, 327.925 cidadãos estavam vivendo nas ruas, um aumento significativo quando comparado ao final do ano anterior, que contabilizava 365.822.
Os dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, da UFMG, revelam que mais de 100 mil pessoas estão em situação de rua na capital paulista, um crescimento de 2.528% desde 2012, quando eram 3.842.
✨ O projeto 'Partido Invisível', lançado pela SP Invisível em 2024, busca dar voz aos membros dessa população e facilitar a regularização de documentos para que possam votar.
O intuito do projeto é trazer visibilidade às vozes vulneráveis e suas necessidades, especificamente durante períodos eleitorais. Durante o cadastro eleitoral, a SP Invisível organizou mutirões para auxiliar aqueles que não tinham acesso a documentos, reforçando a importância da participação política.
Soler enfatiza que seu trabalho é focado em colocar a população em situação de rua como protagonista de suas próprias histórias. No entanto, ele observa uma piora nas condições de vida dessa população, sentindo a necessidade crescente de cuidar e alimentar os que vivem nas ruas.
A recoperação e a luta por dignidade se tornam mais desafiadoras com a escassez de infraestrutura pública, como o acesso à água, fundamental para a sobrevivência.
A SP Invisível faz ainda um trabalho de coleta de depoimentos, permitindo que as vozes dessa população se expressem como políticas, mesmo que em um caráter fictício. A participação nas entrevistas promove um espaço para que pessoas em situação de rua manifestem suas anseios e desafios, refletindo sobre o cenário político atual.
Histórias como as de Paloma, que se mostra desapontada com a política, e Carlos, que critica o salário mínimo e a carga tributária, são comuns entre aqueles que sentem as dificuldades da vulnerabilidade e a necessidade de melhorias em moradia e emprego.
Soler destaca que os principais obstáculos enfrentados por essa população incluem a dependência química e o acesso limitado a cuidados de saúde, que está diretamente ligado à necessidade de documentação, perpetuando um ciclo de exclusão.
A luta por dignidade continua, e vozes como a de Paloma, que declara apenas "Eu. Só eu" como sua resposta política, evidenciam a urgência de um olhar mais atento sobre a população de rua e suas verdadeiras demandas.
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Jornalista especializado em Justiça

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