Apesar da digitalização, a eficiência e segurança ainda são preocupações.

A tecnologia tem se tornado uma parte essencial da rotina das pequenas empresas brasileiras, mas os resultados não estão acompanhando a rapidez da adoção. Dados de uma pesquisa revelam que 58,7% dos empreendedores consideram ferramentas digitais aliadas ao crescimento, mas apenas 26,6% afirmam que elas entregam os benefícios esperados.
Além disso, 43,8% dos entrevistados perceberam uma entrega apenas parcial de resultados, enquanto 21,9% acreditam que o retorno é insatisfatório. Somente 4,7% relataram não ter visto nenhum retorno. Na prática, muitas empresas ainda gastam tempo em tarefas que deveriam ser simplificadas pela tecnologia.
✨ Cerca de 39% dos empreendedores afirmam ter perdido vendas devido a falhas de organização e comunicação.
Fernanda Bordini, head da unidade de negócios da Zoho Brasil, destaca que o problema reside na maneira como as tecnologias estão sendo utilizadas. "Se o empreendedor continua a usar controles manuais, as vantagens que a tecnologia oferece se perdem. Digitalizar não significa simplificar por si só", disse.
Ela indica que entre os principais objetivos dos pequenos empresários está ganhar tempo (56,3%), seguido pela organização da operação (48,4%) e aumento nas vendas (42,2%). Contudo, o custo das ferramentas representa um grande obstáculo, com 42,4% dos entrevistados citando isso como um problema.
Além disso, 39,6% preferem soluções gratuitas ou de baixo custo, o que pode resultar em trabalho extra. "Cada gasto com tecnologia deve ser justificado no orçamento de uma pequena empresa. Corta-se o custo, mas pode-se criar mais trabalho", afirma a executiva.
Na prática, apenas 13,6% dos entrevistados consideram que as informações estão facilmente acessíveis e que os processos são claros. A maioria ainda depende de controles manuais, com 20,3% indicando que muitas tarefas ainda dependem diretamente do dono da empresa.
Entre as atividades que consomem mais tempo estão o atendimento ao cliente (37,3%), a organização de documentos (30,5%) e o envio de propostas (28,8%). Bordini alerta que essa concentração de tarefas no dono limita o crescimento do negócio.
Enquanto isso, o interesse por inteligência artificial (IA) entre os empreendedores começa a crescer. A pesquisa mostra que 73,5% dos entrevistados já tiveram alguma experiência com IA, seja de forma prática ou por meio de testes.
Entretanto, os custos e a falta de conhecimento sobre a tecnologia ainda são barreiras significativas. Em relação à segurança, 48% dos entrevistados afirmaram que suas empresas já enfrentaram golpes digitais, mas apenas 32,7% têm regras documentadas sobre segurança da informação.
A recomendação final da pesquisa é que pequenas empresas maximizem o uso das ferramentas existentes por meio de uma integração mais eficaz, evitando complicações desnecessárias que possam resultar da adoção de novas tecnologias sem um plano claro.
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Jornalista especializado em Negócios

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