Historiador alerta para riscos associados ao uso de inteligência artificial na diversão virtual.

Usuários de redes sociais têm se envolvido em uma nova tendência chamada “como eu seria nos anos 80”, que consiste em enviar suas fotos a uma ferramenta de inteligência artificial. Essa ferramenta reproduz o estilo estético característico da década, com cabelos volumosos, posters de bandas de rock e cenários vibrantes repletos de neon.
No entanto, essa coleta massiva de dados levanta alertas sobre a segurança digital dos brasileiros. Walter Lippold, historiador da tecnologia e coautor de "Colonialismo digital", em entrevista à revista CartaCapital, destaca que essa brincadeira ao mesmo tempo promove o novo GPT-6 (Astra) da OpenAI e suscitou preocupações sobre os riscos associados aos dados pessoais.
✨ Lippold compara as IAs a um 'moloque' que requer rostos, mencionando que fotos antigas têm alto valor. Ele relaciona essa tendência à coleta de dados feita pela Cambridge Analytica em 2013, quando 87 milhões de usuários do Facebook tiveram seus dados pessoais coletados de forma ilegal.
O historiador observa que os modelos atuais de IA são ferramentas mais sofisticadas, que não necessitam da exploração de falhas sistêmicas, já que os dados são fornecidos voluntariamente pelos usuários. Lippold também aponta para o uso potencial desses rostos digitalizados em atividades de vigilância digital e conflitos armados, indicando que os modelos da OpenAI estão associados a interesses militares.
Além da tendência dos anos 80, outras modas têm surgido entre os brasileiros, como filtros no estilo Studio Ghibli e caricaturas personalizadas. Lippold menciona que a popularidade do FaceApp, que permitia que os usuários envelhecessem digitalmente, pode ser vista como o precursor dessas tendências de IA.
O professor sugere que um futuro sustentável para a tecnologia pode depender de inteligência artificial de código aberto que opere localmente. Ele argumenta que somente dessa forma os dados podem ser auditados adequadamente, evitando a exploração do comportamento humano e o chamado colonialismo digital.
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Jornalista especializado em Notícias

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