Presidente anuncia medidas para evitar chegada da oposição ao poder.

O presidente nicaraguense, Daniel Ortega, que está à frente do governo desde 2007, declarou neste domingo (19) que não haverá novas eleições na Nicarágua, visando barrar a possibilidade de a oposição retomar o poder.
Em um discurso em Manágua, Ortega afirmou que a maioria dos opositores reside no exterior e que eles estão "à espreita" para obter vantagens eleitorais. "Aqui não haverá mais eleições, para que não tentem, por esse caminho, tomar o governo e o poder", declarou.
As eleições gerais estavam programadas para novembro deste ano, mas reformas constitucionais que entraram em vigor no início de 2025 ampliaram o mandato presidencial para seis anos. Assim, a próxima eleição poderá ocorrer apenas em novembro de 2027. Essas mudanças foram alvo de críticas por parte da ONU e da OEA.
✨ O governo nicaraguense tem enfrentado denúncias de repressão e a eliminação de liberdades civis, tornando-se essencialmente um regime de partido único.
Salvador Marenco, coordenador da organização Nicaragua Nunca Más, criticou o governo, afirmando que a Frente Sandinista se transformou em um partido único sem nenhuma oposição efetiva. Ele apontou que mais de 5.600 organizações da sociedade civil foram fechadas e a liberdade de imprensa cerceada.
Durante seu discurso, Ortega também fez críticas contundentes aos Estados Unidos, especialmente em relação à captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Ele acusou Washington de querer dominar países para explorar seus recursos.
Ortega comentou que a intervenção militar americana em Caracas foi inaceitável, afirmando: "Invadiram o Palácio Presidencial e that's a monstruosidade".
Recentemente, a Nicarágua também teve um relacionamento complicado com o governo dos EUA, que tem imposto sanções a figuras próximas a Ortega e sua esposa, a vice-presidente Rosario Murillo.
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