Especialista alerta sobre as consequências dessa decisão para a soberania nacional

O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, especialista em combater o crime organizado, alertou que a recente decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando do Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pode ter sérias implicações para a soberania brasileira.
Em entrevista à CNN, Gakiya destacou que essa nova categorização altera a forma como o assunto é tratado, movendo-o da esfera policial para a de defesa nacional nos Estados Unidos. "Com essa classificação, o Departamento de Estado assume um papel central, passando a ser a CIA e as Forças Armadas que se encarregarão do tema, ao invés do FBI e da DEA", explicou.
✨ A mudança permite operações militares americanas sem o consentimento do Brasil, semelhante a ações realizadas em outros países.
O promotor também alertou que essa nova abordagem pode levar a operações militares secretas que poderiam ocorrer em território brasileiro, aumentando os riscos à soberania do país. "As intervenções poderiam ocorrer nos moldes das operações já vivenciadas no México e na Venezuela", ressaltou.
Além disso, Gakiya expressou preocupação sobre a troca de informações entre os sistemas de justiça do Brasil e os Estados Unidos. Segundo ele, a classificação como organizações terroristas pode complicar e restringir o fluxo de dados entre as diversas autoridades, tornando essas informações mais confidenciais e difíceis de compartilhar de forma eficaz.
Integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, Gakiya tem sido alvo de ameaças de morte atribuídas ao PCC, fato que o obrigou a viver sob rigoroso esquema de segurança.
Na última quinta-feira (28), os Estados Unidos anunciaram a inclusão do PCC e do CV na lista de organizações terroristas, uma ação que fortalece as medidas de sanção e combate internacional contra esses grupos criminosos.
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Jornalista especializado em Segurança

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