Fraudes online utilizam dados pessoais reais, enganando cada vez mais brasileiros

Os golpes que imitam instituições financeiras e marcas conhecidas estão se tornando mais difíceis de identificar, utilizando informações verdadeiras das vítimas. Segundo a pesquisa 'Privacidade e Proteção de Dados Pessoais', realizada pelo Cetic.br, cerca de 45 milhões de brasileiros com 16 anos ou mais, o que corresponde a 32% dos usuários de internet, relataram ter sido alvo de tentativas de fraude que usaram seus dados pessoais.
Além disso, 20% afirmaram ter sido efetivamente vítimas de fraudes. Dentre aqueles que relataram tentativas, 84% indicaram que os aplicativos de mensagens foram o canal mais utilizado pelos golpistas. O aumento das compras online contribui para a exposição, com 82% dos brasileiros realizando pelo menos uma aquisição pela internet mensalmente, de acordo com a Serasa Experian.
Carlos Cabral, especialista em cibersegurança da Tempest Security Intelligence, alerta que os criminosos estão abandonando mensagens genéricas e cheias de erros, agora reproduzindo a comunicação das empresas e usando dados verídicos das vítimas para dar credibilidade às abordagens. ‘Essas mensagens muitas vezes chegam quando o consumidor está esperando uma entrega, uma cobrança ou uma promoção, fazendo com que pareçam legítimas’, afirma Cabral.
✨ O falso gerente de banco é um exemplo de golpe, onde criminosos já possuem informações pessoais, como nome, CPF e transações recentes, o que aumenta a credibilidade da fraude.
A fraude não se limita a ligações telefônicas, também se apresenta em mensagens falsas de transportadoras que alegam problemas com a entrega, exigindo uma taxa adicional, e em tentativas de phishing que imitam empresas para roubar dados de pagamento ou senhas. Adicionalmente, criminosos estão usando técnicas de SEO para direcionar usuários a páginas falsas.
A inteligência artificial também contribui para a evolução das fraudes, permitindo a criação de deepfakes que reproduzem imagens e vozes de conhecidos, o que potencializa o risco, especialmente em abordagens familiares. Cabral recomenda que as pessoas verifiquem informações por canais de contato já existentes ao invés de continuar conversas no mesmo espaço onde o golpe foi iniciado.
Em relação a pagamentos, as fraudes podem ocorrer até durante transações em lojas legítimas, incluindo boletos alterados e golpes com o uso do Pix. Cabral ressalta a importância de não reutilizar senhas e de utilizar autenticação em duas etapas para aumentar a segurança contra sequestro de contas.
Uma indicação importante é sempre confirmar transações por um canal diferente do que foi utilizado inicialmente para evitar cair em armadilhas. Essa prática de verificação pode ser crucial para se proteger contra fraudes.
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Jornalista especializado em Segurança

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